31 de julho de 2018
Legalmente
Sou assim porque nasci
Repito: é meu dilema
usar palavra como apito
Trocar o dito pelo dito
é o esquema, pois se pra ti
A verdade dói, porém a mim
ela faz labirinto. E é do vazio
Que m se alimenta
A alma, inventa como gata
No cio sempre algum esquema
Um novo ciclo um outro cio
Por outro lado é meu prisma
e é só meu, é um meu ritmo
meu espírito que se cria
-ou, pelo menos tenta- narciso
um novo fio, a cada pena
remoe tudo que existe, faz cena
Pra dizer que o que há fora
Já insiste no poema
Legacity! do jeito que eu gosto
Brasileiro que sou
Vira lata e prepotente
Que na calçada da fama
Persiste
Bêbado,
louco, atormentado
Chato!
Voltamos para aquele antebrema
um novo ciclo que -por favor- flua
Se hoje sei, realmente dont say.
Condição
Hoje estou triste
Triste de dar medo
o mundo pra mim não tem mais segredo
Em tudo que existe,
toda porta que insiste
Eu abro os olhos e grito
NÃO
Eu não acredito
que a felicidade
existe e é uma pipa
nas mãos de uma criança
que está prestes a vê-la
avuar
Amanhece
E tudo que sei
Não sou. Estou
Há uma luz forte em meus olhos
não sei o nome
clareia, agita, aquece
bate nas ondas da praia
eu não sei o nome
Sei que essa luz acaba
num período que não sei muito bem
Contar o seu período
meu corpo gosta
Se acostuma
mesmo sabendo que queima
Essa luz que ele precisa
Acaba. Agora escuro
A luz permanece movimentando-se
não esquenta, não aquece
aponta sempre uma direção
É luz também mas é fria
É o dia em que não sei
essa luz que aponta
não aponta mais,
não amanhece
nem reluz
E as palavras,
as concordâncias gramáticais,
a semântica
Já não importam mais
Tudo é silêncio
Quase que imperceptível
CISMA
é mais do mesmo
mãos dispostas a esmo
Iniciar o jogo prevendo a derrota
olhar para o outro em sinal de desprezo
Estimas? Não.
acreditas que tudo
te apurrinhas.
Um embrulho das tuas mãos
para dentro do estômago
te acostumas com esta comida
amarga e te tornas uma alma nociva
acreditas apenas no que acreditas
tudo é terrível, é péssimo
é ridículo
Só não consegues pensar
em olhar por outro prisma
Desejo
Quebram-se os feitiços
Sob o olhar de uma gata
Desde então e agora
6 olhos em torno de uma caixa
Poderiam ser 12- o efeito -
o mesmo. O mundo lá fora
Já não tem males nem trapaças
Agora homem não sabe mais
nus no quarto, a vitrola toca
a última canção de amor
Pandora fecha a caixa e adora
VITRINE
É assim que os vejo
em manequins
bem vestidos
fazendo pedidos
a querubins
eles sonham os sonhos
dos deuses, e estes
em suas redomas
escondem segredos
como se fosse únicos
os seus desejos
fazem os não pensar(...)
-Manequins- não tem
esse poder, nem direito
apenas o dever de estar
Aos meus olhos
tudo é visto
apenas de um jeito
o não e sem vida
assistimos relampejos
o sim e tudo revive
no lastro de um beijo
sem duo, o infinito
que maldade há de existir
nos desejos?
Fagulha
É julho e já me esqueci
das promessas de junho
porém te assopro um riso frouxo
no rosto e é só o que temos
A graça do olhar,
as mãos congeladas,
a certeza de que tá frio
pegamos ambos varetas
para riscar o que restou
do passado. Brasa, cinzas
o fluxo dos ventos que assopra
nossos rostos, e os poemas
em minhas mãos. Convido-a
Para entrar -uma xícara de chá
de hortelã- e na vitrola um disco
de johann Sebastian bach. Ar, graça
a criança que voa no seu sorriso
dança,
pulsa
meu coração então sonha eterniza-la
numa garrafa de vinho
Ah amor!
Há muita coisa lá fora
como dizem os poetas
preciso esperar a aurora
não viver os tempos de outrora
Nosso tempo é agora
E agora agora estamos tão distantes
soubesse eu disso antes
não a deixaria ir embora
Ah, do que mesmo estávamos falando?
Muso e musa? Pegue o isqueiro
acenda um charuto
cheiro ficou em minha blusa
desde então nunca mais escrevi
outra música.
Contrato
Te dou a dica:
por amor só por amor
você fica
e deixa pra trás
as cartas, os desamores
desafetos, os maltratos
entenda que isso é isso
assina o combinado
-grita- SOU LIVRE
agora
esquece os anseios
os meios, os pedidos
-perdidos- e veja:
O teto, o abrigo
os abraços amigos
os passos, lado a lado
arroz feijão no prato
desculpe o tom
Autoritário:
agradece.
Laico
dos meios do coração
sou sujeito
e sambo do seu jeito
e como for o ritmo
eu sigo mesmo
aprendiz dos instantes
faço dos nossos passos
um motivo
no final do baile
depois da dança
dencansa
é somente o preço
da esperança
o futuro
não sabemos
Se me vires
de longe um trem
no alto do morro
Só corre
Meu bem.
ESCONDIDINHO
Te amo apenas
pelo som que ecoa
a junção das sílabas
te amo por saber
que nessa linha de raciocínio
não faria a menor diferença
um t-amo sem o E
é esse efeito que me causas
os versos fluindo sem nenhuma intenção maior apenas sendo e
mais nada.
entender? Não
apenas chamo o teu nome
meu amor amor que amo
como uma criança
que se esconde atrás da porta
e fica olhando
de cantinho.
"Eu sou poeta eu sou?
Qualquer resposta verdadeira
E poderei ama-lo" Adélia Prado
15 de fevereiro de 2018
HIPE
Como um relógio de cordas
pernas tic tacam mecânicamente
não há um sentido claro em despertar
ouço o sino e vou à caminho
seu corpo é um poço onde devo me jogar
pernas tic tacam mecânicamente
não há um sentido claro em despertar
ouço o sino e vou à caminho
seu corpo é um poço onde devo me jogar
CARNIVAL
abatido
e nada mais
e nada mais
acabou o fogo
as facas desafiadas
as facas desafiadas
já não conseguem mais
furar. furar o quê?
furar. furar o quê?
Não há mais trapos
não há mais sangue
não há mais não há
sussurros
não há mais sangue
não há mais não há
sussurros
antes do espasmo
o espírito alvitado
sente a hora
assustado inquieto
quer voar do corpo
fúria? dardos o cercam
querem o que saceia
o espírito alvitado
sente a hora
assustado inquieto
quer voar do corpo
fúria? dardos o cercam
querem o que saceia
Põem as mãos
afundam, fincam,
lambuzam na lama
afundam, fincam,
lambuzam na lama
Sujos vão ao ácido
É só isso?
a essência continua
[submersa]
limbo escuro vazio vazio vazio
o sol vem queimar a carne e fede
É só isso?
a essência continua
[submersa]
limbo escuro vazio vazio vazio
o sol vem queimar a carne e fede
Água e oxigênio
Matérias e restos
Matérias e restos
Madrugada cinza
11 de fevereiro de 2018
SINERGIA
Tu descobriste a liberdade
por conta própria
agora não adianta
adiantar o relógio ou atrasar o passo
esticar o barbante ou cortar o laço
tens o dom da liberdade
Pões as mãos:
agigantas
essa é a maior realização
cantas! enquanto brilhas, cantas
pões as mãos sobre as minhas
eu canto - nem sabia - todo mal
És
finda
Pantomima
12 de janeiro de 2018
SEMÂNTICA
Veja bem,
recebo uns versos de amor amigo
sem lugar comum: não há amor com dor
apenas uma pequena manifestação.
recebo uns versos de amor amigo
sem lugar comum: não há amor com dor
apenas uma pequena manifestação.
isso me pôs em estado de anuviação
agora preste atenção: cometer a palavra
é um erro, meu papel é o de segar
o que não há de silêncio -coisa que faço
com as mãos- o que há de estranho?
não há intenção de seduzir
talvez haja o interesse em segredar
(e conduzir) tudo bem!
agora preste atenção: cometer a palavra
é um erro, meu papel é o de segar
o que não há de silêncio -coisa que faço
com as mãos- o que há de estranho?
não há intenção de seduzir
talvez haja o interesse em segredar
(e conduzir) tudo bem!
vejamos o por do sol: eu estou aqui sorrindo
e você está lá
distante
em frente ao espelho
sorrindo
vemos o mesmo sol
e você está lá
distante
em frente ao espelho
sorrindo
vemos o mesmo sol
tudo é som e sílaba
notas?
notas?
A palavra
livre sem erudição
toma
seu significados
livre sem erudição
toma
seu significados
o som é único e bate, zambumba
pegamos o mesmo dicionário
e elas todas
e seus significados
estão lá
PLENAS
pegamos o mesmo dicionário
e elas todas
e seus significados
estão lá
PLENAS
somos um.
(poema dedicado a minha amiga, Sara Reis)
QUÂNTICA
Se eterna não for,
é plena a vida...
veludo em textura
flor de açafrão
sabor de fruta madura
salpicada de vermelho
é plena a vida...
veludo em textura
flor de açafrão
sabor de fruta madura
salpicada de vermelho
riso frouxo que invade
algo no fundo do espelho
que agiganta e faz alarde
algo no fundo do espelho
que agiganta e faz alarde
um espanto
uma chama
um canto
que inflama
uma chama
um canto
que inflama
efervescência e
tilintar de vidro
quebrado
tilintar de vidro
quebrado
quintessência no
laivo do olhar
acanhado
laivo do olhar
acanhado
Sim, a vida é plena...
e plena se faz
em meus versos
e plena se faz
em meus versos
(Magmah)
5 de janeiro de 2018
25 ANOS
Eu que não esperava
Eu que caminhava livre e feroz
No auge de meus impulsos
Se o mal me vinha, mal tratava
E você me veio bem, eu pedi um vinho
E o me deu foi um barquinho feito em papel
Eu que caminhava livre e feroz
No auge de meus impulsos
Se o mal me vinha, mal tratava
E você me veio bem, eu pedi um vinho
E o me deu foi um barquinho feito em papel
Velas ventos ventanias erupções
Nos moveram, empurraram e puxaram
Nossos olhos no corpo da tempestade
Nos moveram, empurraram e puxaram
Nossos olhos no corpo da tempestade
O tempo passou e eu estou aqui
Mais acordado que nunca, o corpo
-confesso- remendado, as vezes estirado
Mais acordado que nunca, o corpo
-confesso- remendado, as vezes estirado
Eu que nadei contra a maré
Que sorri enquanto os outros choravam
Que permaneci em pé, remando
Enquanto dormiam, eu que vivi
cada erro tatuado na alma
Posso dizer, Sonia: à dois é muito melhor!
Que sorri enquanto os outros choravam
Que permaneci em pé, remando
Enquanto dormiam, eu que vivi
cada erro tatuado na alma
Posso dizer, Sonia: à dois é muito melhor!
E o segredo que todos queriam saber
O motivo de eu ser tão diferente,
A brasa que move meus braços
As ondas que carregam meus pés
É que enquanto todos estão off
Eu estou IN
O motivo de eu ser tão diferente,
A brasa que move meus braços
As ondas que carregam meus pés
É que enquanto todos estão off
Eu estou IN
SÔNIA
Clayton Pires
Meus amigos me inspiraram. Jaime Braga é um artista que faz belíssimos quadros com arte sobreposta, ele criou uma ideia chamada arte na garagem e é a forma como ele trabalha, quando bate a ideia, ele levanta pega suas ferramentas e parte criar. Ele adora ser visitado e que pessoas boas apreciem seus trabalhos. ARTE E AMOR é o que move o mundo. Gratidão!
28 de dezembro de 2017
Simultâneo
Na janela a minha frente
há um monumento
em crescente
um belo monumento
um estrondoso monumento!
há um monumento
em crescente
um belo monumento
um estrondoso monumento!
As vezes sinto medo
dos olhos que comparam
o grandioso espetáculo das aves
em todo fim de tarde
a um singelo fechar de olhos.
dos olhos que comparam
o grandioso espetáculo das aves
em todo fim de tarde
a um singelo fechar de olhos.
Nos quadros da sala
uma linha e a vida
que puxa e bate a porta
em compasso uma bússola
do tempo que pondera
as escolhas da gente
acerca dos sonhos e os tombos
do anoitecer
uma linha e a vida
que puxa e bate a porta
em compasso uma bússola
do tempo que pondera
as escolhas da gente
acerca dos sonhos e os tombos
do anoitecer
sentimento é pedra,
ciclos e repetições de cores
e a comparação da dor.
ciclos e repetições de cores
e a comparação da dor.
Neste momento,
o mundo é a coisa
mais insignificante
entre estes escombros
e filmes riscando o passado
nas paredes de um quarto frio
o mundo é a coisa
mais insignificante
entre estes escombros
e filmes riscando o passado
nas paredes de um quarto frio
para o poeta
história é esconjuro
nos ouvidos, sinais
tentando abrir olhos,
afastando e silênciando
os sons das coisas.
história é esconjuro
nos ouvidos, sinais
tentando abrir olhos,
afastando e silênciando
os sons das coisas.
nesta noite faço versos de luz
que me questionam
enquanto vejo no espelho
os planos de uma meretriz
servida em pedaços ao diabo.
que me questionam
enquanto vejo no espelho
os planos de uma meretriz
servida em pedaços ao diabo.
(8/4/11)
Antequera
Não há guerra entre nós
Falamos sobre o mercado
trabalhamos em diversos lugares
com a mesma garra e objetivo
cada um no seu, muitas vezes
sem achar um motivo para estar
naqueles ares - mas isso não vem
ao caso- tivemos paixões escondidas
poucas vezes saíamos, preferimos um livro
viver um filme ou até restaurar um móvel antigo
para inventar aos curiosos que foi trago de moscow
(tudo questão de interesse, para confundir-outros
olhos-encontrar benesses nos firmamentos do dia)
coisa que quase nunca vem ao caso.
eu que já meti os pés pelas mãos
tantas vezes,
hoje teno vivido, aceito convites
em cima da hora
dormir no sofá, chegar de madrugada
acordar cedinho
nem dormir
são contos que faço
para apenas aparecer no seu dia
repartilhar vibrações do dia-a-dia
te contar das coisas que quase nunca
vem ao caso
Você!
com seus conceitos de yin-yang
me dê um beijo,
apenas um beijo e serei -Outro
Homem
Falamos sobre o mercado
trabalhamos em diversos lugares
com a mesma garra e objetivo
cada um no seu, muitas vezes
sem achar um motivo para estar
naqueles ares - mas isso não vem
ao caso- tivemos paixões escondidas
poucas vezes saíamos, preferimos um livro
viver um filme ou até restaurar um móvel antigo
para inventar aos curiosos que foi trago de moscow
(tudo questão de interesse, para confundir-outros
olhos-encontrar benesses nos firmamentos do dia)
coisa que quase nunca vem ao caso.
eu que já meti os pés pelas mãos
tantas vezes,
hoje teno vivido, aceito convites
em cima da hora
dormir no sofá, chegar de madrugada
acordar cedinho
nem dormir
são contos que faço
para apenas aparecer no seu dia
repartilhar vibrações do dia-a-dia
te contar das coisas que quase nunca
vem ao caso
Você!
com seus conceitos de yin-yang
me dê um beijo,
apenas um beijo e serei -Outro
Homem
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