6 de dezembro de 2010

Inversão


Se dois corações se juntam,
Deve ter o cupido acertado
O ponto o flerte e o buraco

Mas se os dois se desprendem
E nada mais ocupa esse espaço
- quem será o culpado?

Clayton Pires

27 de outubro de 2010

o amor desgasto

O amor é isso, é aquilo, é assado.
é a lua, o sol, o banco, as metáforas
na beira do lago;
é verbo, ação, e mais tudo
que é inexplicável.

Eu não quero o amor, não quero.
 Esqueça desses traços mal-trocados
e fica aqui; do meu lado.

25 de outubro de 2010

acontecimentos

uma pilha de contas atrasadas
nas ruas as pessoas se matavam 
por nada
na sua cama um fim sem fim
uma sensação de liberdade
você me dizia pra sempre
o mundo explodia lá fora
eu nem acreditava.

18 de outubro de 2010

Irmandade


leio livros de enxerido,
gosto de conhecer sentimentos alheios.
(não porque fico falando da vida dos outros!)
é interessante a hora que a gente assusta e pensa
– absurdo! Isso não existe!
Para depois pensar de novo e me pondo noutro lugar
passo a só escutá-lo, sem querer compreender
só ouvir.



Clayton Pires

11 de outubro de 2010

O telefone



Mais uma vez o telefone toca,
já estou cansado de andar em círculos
Procurando saber o que fazer.

Mais uma vez o telefone toca,
E eu trancado neste quarto
Com o teto da cor dos seus olhos.

Hoje não consigo jantar:
As lágrimas querem me rasgar,
A garganta já não agüenta a mistura
Das palavras, da falta, do desgosto.

Mais uma vez o telefone toca,
sei que é muito cedo pra querer voltar.

8 de outubro de 2010

De tanto sonhar,
Acabei  me perdendo da realidade

Encontrei a Lua com um vestido alaranjado
Descansando em baixo de uma árvore do parque
Sentei ao seu lado direito e passei a ouvir suas palavras
Descontentes com as estrelas frias
Que tanto a deixara sozinha em tempestade.

Com um olhar terno prometi sempre acompanhá-la,
nas noites escuras, nas noites mais claras,
depois adormeci embriagado de felicidade
Naquele fim de tarde.

5 de outubro de 2010

quanto estou embaixo de seus olhos


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Quando estou embaixo de seus olhos,
sinto a segurança de pisar nas nuvens.
é como se o mundo nunca me tivesse feito triste
é como se me hipnotizasse com a sua luz.

Quando estou embaixo de seus olhos,
percebo o cheiro de perfume bater no horizonte
e as cores das flores cintilando pensamentos

Quando estou embaixo de seus olhos,
nada mais me importa, além do tico cálido
de céu de tarde que reflete seu sorriso.

Quando estou embaixo de seus olhos,
adormeço meus medos de criança.

2 de outubro de 2010

O nascimento

Ana maria beatriz. será o nome dela.
simples como todo humano deve ser.

carregará luz e sorrisos inocentes
lembrará jesus, quando agir por gentileza
como quem dá o coração a troco de nada.
(se bem que nunca fui tão crente na história da biblia...)
mas creio em Deus, meu bom pai.
Aquele que ensinou a dor ao nascimento
e a graça do sorriso sem nenhum dente...
e nos deu o fardo de viver guardando lembranças
ou esperando que a vida se fosse para uma melhor:
vigiai-nos, pois a hora está a chegar!
porque tanto querer a morte?
porque tanto olhar os passos do próximo?
Quando uma criança soluça um choro sem motivo...
é aí que meu coração aperta, e corre atrás de vida.
Quem sabe encontre mais um pouco,
só mais um pouco de motivo para sonhar.

1 de outubro de 2010

Bravura


Perambulava em seu barquinho náufrago
Em goles de uísque e comédia barata,
Cantando distraída, as lembranças de menina:

Êta vida dura, ô saudade...

Queria estar em terra firme
E entregar uma carta de independência
Aos santos Reis da cidade:

“ vamos trocar as moedas?
xeque mate!
Confiança por liberdade."

Clayton Pires

dediquei este poema à Olga Mota.

27 de setembro de 2010

A despropósito




Entre. Sinta-se a vontade. Aqui está o mapa e meu quarto desorganizado. Não há quereres guardados. Tudo que há aqui é por simplesmente estar ou porque estive e guardei sem querer. Não há fatos pendurados em quadros de paredes. Quando chove na madrugada, as gotas escolhem quais lembranças irão apagar.

Crio um monstro traumático embaixo da cama. Que desperta à luz da lua para tirar do meu mundo, paradigmas inexplicáveis. A mesa sempre foi inquieta. Sempre pediu mais e mais e mais. Eu, nunca soube a hora de parar. Obedecer o instinto acabou se tornando um vício. Coração? Este ordinário bateu forte um dia. Depois se jogou num buraco, indignado com os ciclos da terra, com os ciclos do amor. Ele não sabia jogar, não sabia viver.

A despropósito, as palavras não são ternas, as palavras não são calmas; as palavras são confusas e exageradas. Tal qual água de correnteza, que arrasta e afoga os sonhos mais esperados. Tal qual fogo em mata, que alastra, assustando a vida. Acabando com toda a incerteza dos desesperados.

Não há o que procurar neste espelho fragmentado que contorce imagens calculadas.
A despropósito, tudo isso só faz sentidos aos meus olhos quebrantados à realidade. O futuro sempre me foi um engano. Eu que nunca soube, mas sempre falei. Se ao menos Eu desse valor as palavras que solto ao mundo... Culpa da esperança, de acordar mais um dia pra viver mais um ultimo dia de vida.
De manhã acordo em gritos: Mãe, me dá cá o abraço de despedida, acho que vou morrer mais tarde. Pai, não te guardo rancor, pois nunca soube estar no seu lugar. Meu bem, minha amada. se não fugistes sem minhas malas, te daria a eternidade. João, cuida da casa que acho vou morrer mais tarde.

Saio de casa sem destino. Já fui a biblioteca e li duzentos prefácios de livros e nenhum me escolheu. A despropósito, levo uma mochila nas costas para carregar o fardo do meu desgosto. Homens tolos de seguir as palavras de outro homem!
"Venham comigo pois sou o único caminho da luz!" – Deus não é religião!

A despropósito, não quero explicação. Chega dessa crise de existencialismo. Quero descansar minhas mãos, quero apagar esse livro que vive aqui dentro. Quero enviar estas cartas sem destino.

Clayton Pires

22 de setembro de 2010

Aluado

eu sou capaz de seguir

sozinho
eu sou capaz...

mas quando é tarde
e a Lua começa
a assombrar as árvores
para o Sol poder descansar

é em você que penso.
 
Clayton Pires

19 de setembro de 2010

é tão difícil ter um pouquinho de atenção?

18 de setembro de 2010

Prisão

Vozes inseguras e confusas
é o bem mais real em mim.

Talvez não seja desprendimento
essa vontade de fugir
-é inquietação!

Sonhos e desesperos
que batem em meus olhos de pedra.
...preferia a cegueira ao desencanto.

Queria ser anjo,
e poder usar minhas asas
quando sentisse a frieza
do salto em um precipício.
(porque não me acostumo
com as feridas?)

Mais uma vez fecho as portas
diante às cenas que criei.

A dor é o espetáculo da vida.

Clayton Pires
sozinho.

é a palavra que melhor me completa.

11 de setembro de 2010

sem controle

me vejo fogo quando falo.
labaredas se alastram por todos os lados
queimando tudo que me é natureza.

Ao que se fez Sol e  aceitou-se
Dono da vida ao seguir sua rotina,
imploro! Hoje quero minha margem.

O ar fresco e a sombra de uma àrvore.

e me calo. assim me caibo em algum canto.

Explicação poética

Creito!- tomei um susto
quando peguei meu pai me lendo.
- isso é bonito!- logo retruquei:

Não pai. isso não tem ritmo. nem métrica.
nem mimo: isso é delirio!

- De onde tiras tanta sabedoria?
Andas lendo muito livro?

- Não, pai. é visão de mundo.
é confuso!, não tem sentido!

- Ara! faças livros.
ganharias muito dinheiro assim.

-Não, pai. não é o que pretendo.
não preciso disso.

-Ora, gostas de me contradizer né?

e foi sentar-se na sala.
Eu, cabisbaixo, fui pro meu quarto.

- Ai se eu me entendesse...

10 de setembro de 2010

Solução

Os certinhos nunca souberam
 o que é viver

Viver é para os ordinários,
que rodam o mundo e não se importam com nada
além do agora.

Quando vi aquele penhasco
pensei em mais nada.
cansado de carregar esse fardo:
Joguei aquele peso-pesado

E agora, quem é o otário?

Clayton Pires

A sua essência me é um perfume raro


Me nego a viver em prantos

se em meus olhos ainda te guardo.

Se o medo nos provoca desencontros

O destino se curva à inocência

de nossos passos.



Se no dia em que estivemos juntos

o pra sempre nos prometemos,

Saiba que o tempo marcou o encanto,

e dos tantos sonhos silenciados

a paixão se perdeu em algum canto.



Mas meu coração ainda acelera

quando sua face me é palpável.

Não quero que este sentimento

(mais uma vez) hiberne no passado.

- Eu que já me perdi em outras tantas-

esse desejo, sem disfarce, lhe peço:

Um beijo, e juntos iremos pro espaço.

7 de setembro de 2010

escrevo

Sem a intenção de causar em alguém algum encanto. Não há nada melhor do que sentir a vida. Escrevo por achar que penso demais. Ao mesmo tempo sei que nunca penso no que faço. São pensamentos bestas que me batem. Talvez eu escreva mesmo por solidão. E não há quem diga que não sente isso. Em algum momento meus olhos sofreram o quebranto. As palavras me consomem, me esquentam, e me aprumam. Parece que o papel é o único mundo onde me sinto à vontade. Estou cansado da cidade. Aliás, sempre tive essa sensação. O mundo nunca me foi tão covarde. O mundo nunca me foi tão frio. O mundo nunca me foi errado. E a única certeza que tenho, é que o problema sou eu.

Porque me importo? A vida é tão curta; dizem os mais sábios. Amar é tão bom. Queria saber qual foi o maldito CulpidoAnjo que me escolheu pra ser assim. Que foi que disse que eu deveria ser sozinho? Que eu deveria só ver os casais se apaixonarem, e saber o que eles sentem, e ajudá-los, e aconselhá-los. E eu? Quem irá me orientar? Fico me questionando: porque será que é tão difícil de entender quem a gente ama? Porque será que as pessoas se vão? É mesmo para criar um novo ciclo? Ou é simplesmente para testar a nossa força? – antes que expliquem, eu aviso: Meu coração é fraco! Meu coração é errado! Parece que gosta de sofrer. Vive cheio. Vive preocupado.

Já tentei conversar comigo mesmo. Dizem que é assim que se conversa com o coração. ‘Ei! Fique frio. A vida não tem sentido mesmo. Dos tempos da bolinha, tentam achar a fonte da eternidade, ou explicar o princípio da vida. É tudo inimaginável mesmo. É por isso que Deus existe. Para colocarmos o fardo nele.’

 – Ei criador! Tu me destes estes dom para eu duelar contigo é?
Na verdade, não quero. Se quiseres, pode me tomar as palavras. Só me dê outros olhos. Algum olho que não se encante com as cores. E outros ouvidos; esses que me fazem sentir tanto...Ai! essa boca que só presta quando está cheia. Queria ser saco cheio. Podes realizar o meu desejo? Ando me sentindo tão vazio. Ando me sentindo tão sozinho. Na verdade queria ser Peixe; e viver dentro de um aquário. Esse mundo me é tão grande.
Será que se meus sentimentos não fosse tão intensos? Queria não sentir. Juro. Sentir me dá prazer. O prazer não é bom. O prazer acostuma. Gostaria de não ter conhecido a completude. Sei que tudo é questão de comparação. Dizem que a vida é utopia.

Normalmente eu não digo nada. Esse ser tão estúpido. Sempre falo besteira. Queria não saber o que é Amar. Antes disso; me sentia tão completo. Escrevo porque me busco. Acho melhor parar com isso. Acho que esse é meu ultimo texto. Mas isso é hoje. Talvez, um dia, se conseguisse fugir de mim.


6 de setembro de 2010

Fim

Mal de amor desastrado

vem cheio de graça
depois se esborracha
e vira página marcada.