22 de julho de 2010

O cemitério é o melhor fetiche

Ainda que fosse tarde
e a lua fria
lá no céu, nos contemplasse

Eu te deitaria no telhado
dos gatos vadios
e com uma mordida em sua
tatuagem de cereja
ascenderia a chama

(deixando a lua, as flores
as velas, mortos de inveja)

Ouvindo sussurros de quem se afoga
em suor: 'Ah! acabe com essa sensação
que me devora!'
e nossos corpos em transe e delírio
se derreteriam na pedra de mármore

e só acordaria no outro dia
com tudo acabado
para dizer que não preciso mais
de tê-la em mim.

Clayton Pires

Um comentário:

Dhenova disse...

O título dá todo o charme... adorei.

Belo espaço, querido. beijo.