15 de fevereiro de 2018

HIPE


Como um relógio de cordas
pernas tic tacam mecânicamente
não há um sentido claro em despertar
ouço o sino e vou à caminho
seu corpo é um poço onde devo me jogar

CARNIVAL


abatido
e nada mais
acabou o fogo
as facas desafiadas
já não conseguem mais
furar. furar o quê?
Não há mais trapos
não há mais sangue
não há mais não há
sussurros
antes do espasmo
o espírito alvitado
sente a hora
assustado inquieto
quer voar do corpo
fúria? dardos o cercam
querem o que saceia
Põem as mãos
afundam, fincam,
lambuzam na lama
Sujos vão ao ácido
É só isso?
a essência continua
[submersa]
limbo escuro vazio vazio vazio
o sol vem queimar a carne e fede
Água e oxigênio
Matérias e restos
Madrugada cinza

11 de fevereiro de 2018

SINERGIA

Tu descobriste a liberdade por conta própria agora não adianta adiantar o relógio ou atrasar o passo esticar o barbante ou cortar o laço tens o dom da liberdade Pões as mãos: agigantas essa é a maior realização cantas! enquanto brilhas, cantas pões as mãos sobre as minhas eu canto - nem sabia - todo mal És finda Pantomima

12 de janeiro de 2018

SEMÂNTICA


Veja bem,
recebo uns versos de amor amigo
sem lugar comum: não há amor com dor
apenas uma pequena manifestação.
isso me pôs em estado de anuviação
agora preste atenção: cometer a palavra
é um erro, meu papel é o de segar
o que não há de silêncio -coisa que faço
com as mãos- o que há de estranho?
não há intenção de seduzir
talvez haja o interesse em segredar
(e conduzir) tudo bem!
vejamos o por do sol: eu estou aqui sorrindo
e você está lá
                                    distante
em frente ao espelho
                                  sorrindo
vemos o mesmo sol
tudo é som e sílaba
notas?
A palavra
                         livre sem erudição
toma
                          seu significados
o som é único e bate, zambumba
pegamos o mesmo dicionário
                             e elas todas
e seus significados
estão lá
                               PLENAS
somos um.
(poema dedicado a minha amiga, Sara Reis)

QUÂNTICA
Se eterna não for,
é plena a vida...
veludo em textura
flor de açafrão
sabor de fruta madura
salpicada de vermelho
riso frouxo que invade
algo no fundo do espelho
que agiganta e faz alarde
um espanto
uma chama
um canto
que inflama
efervescência e
tilintar de vidro
quebrado
quintessência no
laivo do olhar
acanhado
Sim, a vida é plena...
e plena se faz
em meus versos
(Magmah)

5 de janeiro de 2018

25 ANOS


Eu que não esperava
Eu que caminhava livre e feroz
No auge de meus impulsos
Se o mal me vinha, mal tratava
E você me veio bem, eu pedi um vinho
E o me deu foi um barquinho feito em papel
Velas ventos ventanias erupções
Nos moveram, empurraram e puxaram
Nossos olhos no corpo da tempestade
O tempo passou e eu estou aqui
Mais acordado que nunca, o corpo
-confesso- remendado, as vezes estirado
Eu que nadei contra a maré
Que sorri enquanto os outros choravam
Que permaneci em pé, remando
Enquanto dormiam, eu que vivi
cada erro tatuado na alma
Posso dizer, Sonia: à dois é muito melhor!
E o segredo que todos queriam saber
O motivo de eu ser tão diferente,
A brasa que move meus braços
As ondas que carregam meus pés
É que enquanto todos estão off
Eu estou IN
SÔNIA
Clayton Pires
Meus amigos me inspiraram. Jaime Braga é um artista que faz belíssimos quadros com arte sobreposta, ele criou uma ideia chamada arte na garagem e é a forma como ele trabalha, quando bate a ideia, ele levanta pega suas ferramentas e parte criar. Ele adora ser visitado e que pessoas boas apreciem seus trabalhos. ARTE E AMOR é o que move o mundo. Gratidão!

28 de dezembro de 2017

Simultâneo


Na janela a minha frente
há um monumento
em crescente
um belo monumento
um estrondoso monumento!
As vezes sinto medo
dos olhos que comparam
o grandioso espetáculo das aves
em todo fim de tarde
a um singelo fechar de olhos.
Nos quadros da sala
uma linha e a vida
que puxa e bate a porta
em compasso uma bússola
do tempo que pondera
as escolhas da gente
acerca dos sonhos e os tombos
do anoitecer
sentimento é pedra,
ciclos e repetições de cores
e a comparação da dor.
Neste momento,
o mundo é a coisa
mais insignificante
entre estes escombros
e filmes riscando o passado
nas paredes de um quarto frio
para o poeta
história é esconjuro
nos ouvidos, sinais
tentando abrir olhos,
afastando e silênciando
os sons das coisas.
nesta noite faço versos de luz
que me questionam
enquanto vejo no espelho
os planos de uma meretriz
servida em pedaços ao diabo.
(8/4/11)

Antequera

Não há guerra entre nós


Falamos sobre o mercado
trabalhamos em diversos lugares
com a mesma garra e objetivo
cada um no seu, muitas vezes
sem achar um motivo para estar
naqueles ares - mas isso não vem
ao caso- tivemos paixões escondidas

poucas vezes saíamos, preferimos um livro
viver um filme ou até restaurar um móvel antigo
para inventar aos curiosos que foi trago de moscow
(tudo questão de interesse, para confundir-outros
olhos-encontrar benesses nos firmamentos do dia)

coisa que quase nunca vem ao caso.
eu que já meti os pés pelas mãos
tantas vezes,
hoje teno vivido, aceito convites
em cima da hora
dormir no sofá, chegar de madrugada
acordar cedinho
nem dormir

são contos que faço
para apenas aparecer no seu dia
repartilhar vibrações do dia-a-dia
te contar das coisas que quase nunca
vem ao caso

Você!
com seus conceitos de yin-yang
me dê um beijo,
apenas um beijo e serei -Outro
Homem
te conhecer foi um acidente eu que andava distraído colecionando pedras na beira de um rio e que besteira eu que achava bonito bater pedras lava-las, dar brilho por ao sol secar até então não percebia no reflexo das águas refletia a mim o céu, as nuvens e os círculos que faz a água ao se movimentar o mundo todo é um propósito primeiro eu vi você teu olhar me provocou ruídos agora sinto no meu peito tremeliques, comichões, enfim algo ecoa literalmente te conhecer foi um acidente me fez entender as runas e que intuitivamente havia uma imagem de infância castelo a construir um lar essa imagem sempre se repetia o desejo de beirar o rio o ato de escolher pedras lavar, secar seu olhar me causa ecos agora meu coração vibra todos os dias se põe numa bandeja aventureiro e esperançoso, na ânsia do seu sorriso sentindo a dizer seu seu seu teus olhos sobre a água foi um acidente perfeit

Ecos e luzes

Enquanto chamas
Aquele sem nome que clama devastado e insano
Aquele que prepara a cama
de forma desmedida e ama
faz malabares morro acima
Enquanto chamas
queima lençóis, toras e taras
cinzas às claras
tudo exposto, tudo brasa
Que se vê e não toca
Inflamas

No seu tempo


Primeiro, o rito
levantar cedo, antecipando
o primeiro raio de sol
coar o café, ligar o rádio de pilha na Am
se informando notícias habituais
Minha lembrança é você sorrindo
Vó! havia um quê de hora de aproveito
em cada suspiro no seu olhar
a bolsinha de moedas no sutiã
os chinelos vermelhos, os grampos
a saudade das panelas de ferro
do fogão a lenha
a coragem de enfrentar a chuva
coisas do seu tempo
sobre precisar existir
dos seus ensinamentos
antes do verbo, o gesto.
tudo foi muito rápido
você não quis se despedir,
das coisas mais valiosas
eu aprendi a me proteger
antes de dormir
Abençoe, Vó!

AFORTUNADO


de tão cheio de si,
o amor inventa aventuras
cola figurinhas na geladeira
para lembrar o seu amor
faz lembrança, dá o que não tem
o amor quer ser aceito e é aceito
o amor compra balança
conhece frutas pelo cheiro
compra propriedades e agora
tudo ele quer, ele pode.
o amor se envaidece, faz estrelinha
acorda cedinho prepara o café
planta bananeira e de repente
acorda decidido
ouve o apito do trem, ele quer o trem
o trem passa, o amor se perde
cansado de si o amor desbanca,
agora ele quer sombra e água fresca
um violão e um bandolim
tudo por capricho e destreza
o amor almeja
mas não quer tocar.
(Clayton Pires)

3 minutos mais curto
o amor cruza a soleira do peito
levanta um pensamento leve
tira o silencio do sapato
recosta o burburinho dos pés
no calor da tarde
vai me roubando aos poucos
do catálogo do dia
deixo parte da vida
ao lado da manta de lã
perto de nossos nomes
na primeira hora da manhã
os galos num acorde só
e as ruas em sentido único
(coloca o chão entre nós)
Vania Lopez
enquanto punha a louça
seca no armário
tive uma ideia genial
olha quanto tempo perdido:
disputar, ter ansiedade
por a paz em risco
pela boa reputação
ter, vencer, produzir, realizar
defender, capacitar
criar confusão se for preciso
ser bem visto e benquisto
acabei chegando a conclusão
o segredo é macerar o verbo
exprimir o máximo que der
e deixar no tempo
até chegar no que é básico
eu sou o que ninguém faz por mim
e nisso somos iguais: acordar
comer se cuidar tomar banho
se cuidar comer dormir
o essencial está no cotidiano
sem o verbo
meu currículo?
mudando

Ao que rege

Agir é uma tarefa automática, se acorda: abre os olhos. Reagir pede um pouco de esforço. Bora lá

Pra sempre


todos nós já passamos por relacionamentos mornos, de ficar na dúvida do bem-me-quer-mal-me-quer. Agora você me aparece louca, enfia essas mãos quentes na ferida. Me viola. Arde. Me consome.Me afasta. Me disputa. Eu te quero!

TANGENTE


EU SOU BRANCO
É isso. Eu quis ser negro
ter uma voz de negro
de favelado
mesmo que assim fosse
minha pele é branca.
não quero chegar nos confins
que nem tudo é assim
que cada caso é diferente
eu já quis ser viado
com todas as letras
sentir na pele o que é
ser lésbica sapatão gordo gay
e dói falar assim
todas essas palavras soam um palavrão
Eu sou branco
o mais que consigo disfarçar
é um casaco em frente ao espelho
minha pele frágil marca tatua
a pico de sol
toda discriminação

A PROPÓSITO


Não é mais sobre rima
argh! coisa chata
é sobre compromisso
é sobre a destreza de um cirurgião
que não sabe amolar a navalha
mas desenha o corpo humano
com a paciência de um monge
posso ir mais longe
falar sobre o mecânico
que não faz ferramentas
mas destrincha problemas
com a mesma sina de um físico
ou até quem nasceu pedreiro
e viveu, como manda o figurino
sem saber ler uma palavra
mas capaz de levantar um edifício
tudo é questão de necessidade
todo mundo aqui tem um "Q I"
para mim é questão de unir:
ninguém aqui é INTOCÁVEL!
não escrevo por ofício,
a palavra me basta.
Escrevo porque é preciso.
Clayton Pires
'eu sou poeta, eu sou?
qualquer resposta verdadeira
e poderei amá-lo.' Adélia Prado

19 de novembro de 2017

Máscara
hora do show e todos estão afoitos para mostrar suas habilidades, seus diferenciais e eu?
Eu vim da lama e tenho
Em minha pele ainda manchas
Resquícios de um passado que ouso esconder.
Nos pontos escuros de todos isso é normal
É assim que funciona o mercado:
Pessoas se põem a venda, forçando energias à prova, testando seus limites
Buscando nos mínimos detalhes
Ser entre todos, o mais bem falado.
Pois assim que funciona o poder:
Você é aquilo que os outros veem.
De novo o meu nome na vitrine
Pés descalços, sem nenhum peso nas costas
a única questão que mais apavora
Qual é a sua fama?

Clayton pires
9/11/2017
Escolhas
Ser 
Semente
Somente

tranquila
mente
GULA
é de olhos grandes, o meu amor.
deseja com tanta demência
seu corpo mudo em êxtase,
compra chocolates em barra
aprende técnicas na Suíça
prepara taça em fondue
chega a fazer escultura de você.
põe ao sol louco e puro
o meu amor, com os pés
entre as mãos sonha e só.
teu corpo, espectro divino
não posso lamber.
Clayton Pires 19/11/17

17 de novembro de 2016

Duna

Meteoritos e cristais invisíveis
dançam no espaço
para que possa vê-los
Tomam formas e em instantes
vão do amarelo ao vermelho
e dão lugar ao azul!
Formam-se em hologramas
e vão parar em sua estante
(Só pra te surpreender)
O que pequeno era antes
no agora se tornou gigante.

(Clayton Pires e Douglas Prado)

16 de janeiro de 2016

BUSSOLA

De onde vem os versos?
dos fatos, cortados, nos pulsos
o verbo: vogar.

das tantas idas e voltas
momentos [dispersos]
e os gestos, do sons e os ditos
populares

Os ritos, os discos, pergaminhos
e riscos ( mantras em estado de efusão)
No batuque, o ritmo, no coração.

Do tempo, a carga, um objetivo contínuo
Amar-te como a mim mesmo.

11 de novembro de 2015

Resiliência


Ver o mundo como uma paisagem em relevo
Ouvir ruídos ventania na janela
Apenas observar o verbo em silêncio
Pois o dedo em riste arrisca afrontar o universo
E ateia, inconseqüente, cometas velozes no espaço
Que se chocam sempre em terreno frágil.
Ver a vida como uma paisagem e relevar
Cada folha deixada para trás,
Pois tudo que destrói se renova e apaga
o que não resiste na memória.
Dar prioridade ao ser humano, atento aos seus meios, cada passo e fins
Buscando respeitar o tempo de cada um.
Aproveitar toda matéria que lhe cabe mãos.
Somar todo terreno que a vista alcança
Tendo a certeza da distância que a lança aponta num coração em perigo.
Valorizar o que é ingênuo e tranquilo
O que não teme nem assume
O que sente fome e transforma em oportunidade o que é perdido.
O que se ajoelha para agradecer o momento em oração.

Clayton Pires

7 de março de 2014

Fonte

que desejo
a vida que reluz
nos olhos teus: ouro

Renasce então
o desejo
infanto

protejo

18 de fevereiro de 2014

Emaranhado


Entre o sonho

deixo pôr
{Hora 
a estampa}
à navalha 

E estanco
Em tempo:

desfaleço
engodo 
enlaço

No tempo
morre
o invisível

A falta, 
o espaço.

17/02/2014

14 de janeiro de 2014

Por fim me distraio

Foi só para lembrar das vezes que nos alertamos, daquelas coisas que falamos sobre isto ou aquilo, que o mundo é perigoso e como sempre brigávamos quando eu te achava inocente das coisas. Há tanto tempo vejo que também sofro do mesmo erro; Acho que contigo aprendi a ver o mundo de uma forma mais leve, e o mundo mais leve é feito de pessoas como você. Já nem sei mais o que lhe dizer, foram tanto tempo dizendo tantas coisas, tantos vôos perdidos, tantas histórias mal contadas.

Ainda hoje tenho aquele relicário que você me deu. Acho que parei no tempo e prefiro estar assim. Pensar em você é meu ponto de conforto.

O mundo é um teatro.

Quando me exponho nas ruas, passo em frente das lojas e vejo aquele vestido azul que você adora, esqueço das coisas, passam carros e me vêem estático e de súbito percebo dono da loja que também sorri.

Um estado de memórias mortas talvez.

Me pergunto onde foi que nos perdemos, ou por que foi que nos encontramos?

O amor verdadeiro, não é pra sempre?

Seus olhos um dia me filtraram, perfuraram meu peito como uma flecha.
Já se passaram tanto tempo e tantas coisas pelas nossas mãos, eu já nem sei se em ti passou algum pensamento sobre mim.

 Eu preciso confessar, não consigo te esquecer.
A dor de não te ter comigo é algo como uma cicatriz que se tento arrancar sangra, mas se acalento, faz arrepios. Eu finjo não sentir.

Foi por você que arranquei minhas armaduras e só a você que amei e só a você me desfiz.
A mim você foi a melhor coisa que aconteceu.

 ó! por quê estou falando tanto de você? um dia pensei diferente.
Devo estar num estado de redenção.

 Te lembra da música?
Seu olhar deixou vácuo no meu peito.

13 de janeiro de 2014

Às traças



Primeiramente me desculpe
Meu bem, se eu já me esqueci
Como se faz um poema
Como já diz o dilema
Em roda de samba
Quem perde a lenha
Que invente a letra
E desça o morro pra cantar
Com os bambas:
Por hora me desculpe meu amor
É que por enquanto no copo
De gole em gole me esqueço
Do encanto, de seus risos
E seus cantos e meus tropeços
Não me canso:
Sou atentado na rima e no avanço
Já estou contente e em meu passo
Sinto mais leve em seus passos
e me enlouqueço no ônibus que passa.
 Meu bem, me perdoe
se por último nos dissemos
de acertos e perdas
Se eu já nem lembro
De quando começamos

Se eu só sei do agora
e por enquanto
Que de súbito me lembrei
De você e no entanto
Me entrego a mais uma taça

E agora, como vou embora
se nem aomenos te escrever
uma carta ilusória?

1 de janeiro de 2014

Concepção


Digo coisas óbvias
como fosse um Deus,
como se achasse que tudo que eu digo
tem algum valor.
Mas eu sei que não tem valor algum,
como sei que marcas também não seriam marcas se não houvesse
numa estação de radio um locutor
repetindo várias vezes um nome
ou colocando para tocar sempre a mesma música do mesmo músico
talentoso
e de alto QI
para todos ouvirem
e colocar seu nome em risco:

-Jogo meus 23 anos de radialismo no lixo
se isso aqui não se tornar um sucesso.

Ele também era Deus.
O outro também será Deus.
Deus foi meu pai quando me criou.

Mas o que importa na vida é a continuidade.
Morrem todos os dias sonhos.
morrem junto dos homens.
Mãos dadas, malas, maletas e o passado.
Morreu junto com a esposa que cuidava de casa
a mulher que cuidava do marido.

São novos os tempos: Hoje é tempo de Glória.
Conquistamos a independência.
Conquistamos tudo: Um país sem preconceitos
um país sem passado
Um país sem porteira
Um país sem caixão
Sem eira nem beira.

Passaram se 500 anos
e muita história se contou
Para um povo sem sonhos
um mundo de carroças.

Para Homens espertos uma fronteira
e a oportunidade:
Safa-se quem ouve
e manda quem pode.

E eu rimo.
Ontem mesmo que já ia me esquecendo
dei de cara com o muro
e sai atordoado
Pensando no passado
achando que sabia do futuro.

Concepção


Digo coisas óbvias
como fosse um Deus,
como se achasse que tudo que eu digo
tem algum valor.
Mas eu sei que não tem valor algum,
como sei que marcas também não seriam marcas se não houvesse
numa estação de radio um locutor
repetindo várias vezes um nome
ou colocando para tocar sempre a mesma música do mesmo músico
talentoso
e de alto QI
para todos ouvirem
e colocar seu nome em risco:

-Jogo meus 23 anos de radialismo no lixo
se isso aqui não se tornar um sucesso.

Ele também era Deus.
O outro também será Deus.
Deus foi meu pai quando me criou.

Mas o que importa na vida é a continuidade.
Morrem todos os dias sonhos.
morrem junto dos homens.
Mãos dadas, malas, maletas e o passado.
Morreu junto com a esposa que cuidava de casa
a mulher que cuidava do marido.

São novos os tempos: Hoje é tempo de Glória.
Conquistamos a independência.
Conquistamos tudo: Um país sem preconceitos
um país sem passado
Um país sem porteira
Um país sem caixão
Sem eira nem beira.

Passaram se 500 anos
e muita história se contou
Para um povo sem sonhos
um mundo de carroças.

Para Homens espertos uma fronteira
e a oportunidade:
Safa-se quem ouve
e manda quem pode.

E eu rimo.
Ontem mesmo que já ia me esquecendo
dei de cara com o muro
e sai atordoado
Pensando no passado
achando que sabia do futuro.

Concepção


Digo coisas óbvias
como fosse um Deus,
como se achasse que tudo que eu digo
tem algum valor.
Mas eu sei que não tem valor algum,
como sei que marcas também não seriam marcas se não houvesse
numa estação de radio um locutor
repetindo várias vezes um nome
ou colocando para tocar sempre a mesma música do mesmo músico
talentoso
e de alto QI
para todos ouvirem
e colocar seu nome em risco:

-Jogo meus 23 anos de radialismo no lixo
se isso aqui não se tornar um sucesso.

Ele também era Deus.
O outro também será Deus.
Deus foi meu pai quando me criou.

Mas o que importa na vida é a continuidade.
Morrem todos os dias sonhos.
morrem junto dos homens.
Mãos dadas, malas, maletas e o passado.
Morreu junto com a esposa que cuidava de casa
a mulher que cuidava do marido.

São novos os tempos: Hoje é tempo de Glória.
Conquistamos a independência.
Conquistamos tudo: Um país sem preconceitos
um país sem passado
Um país sem porteira
Um país sem caixão
Sem eira nem beira.

Passaram se 500 anos
e muita história se contou
Para um povo sem sonhos
um mundo de carroças.

Para Homens espertos uma fronteira
e a oportunidade:
Safa-se quem ouve
e manda quem pode.

E eu rimo.
Ontem mesmo que já ia me esquecendo
dei de cara com o muro
e sai atordoado
Pensando no passado
achando que sabia do futuro.

Carta de Hiroshima

Carta de Hiroshima

É por minimo cuidado o que fazes.
Teu peito é um espaço gigantesco
Um terreno baldio, um espaço 
para gatos vadios ladrearem
sonhos nas palmas de tuas mãos 

vejo sempre granadas.
Que apertas tão delicadamente
Como fosse uma criança decidindo 
um futuro fim. 

E Sangra o teu gesto.

 Penso eu, que futuro?
Se agora não sentes controle
Nem mesmo do que há dentro de si.

Na tua cama, embaixo do travesseiro
Sei que guardas minha fotografia
Sei também que não sentes culpa
E que não há espaço para o que por

conseguinte, procuras.
Foi a tua vida toda um legado, matar.
Ódio é teu sentimento primário.
Matas por glória e o fogo que sentes prazer em atear

Não me atrai. Vejo tudo como um filme:

Há décadas nos desamamos
E eu ainda passo sombrinha
Embaixo dos braços
Em frente ao quartel
Pisando cascas de ovos

-Destroços de uma guerra feita
[por paz.

Hoje estamos bem, em nossas lembranças
Um dia éramos estranhos.

Olhe só!
Tomei até a liberdade de mudar o tom.
Te Lembras do rádio?
A 9° Sinfonia de beethoven ainda passa
Arredia em mim.
Veremos que era sim que devia ser.

A nós, as histórias que resistem.
e a você dedico mais um ano
para não morrer de culpa.

23 de setembro de 2013

pas-de-deux

espero que o tempo me traga paz e ciência.

13 de março de 2013

VII

digo verdades
-não brinco-
se colo no teu ouvido
é porque te quero
(não duvide)
Eu sei de-cor
a cor do seu brinco.

VI

Não mão largo de mim. Mãos dadas. Abraços dados. Sigo em frente em passos longos. Passos largos. Passos que marcam. Meus olhos em maré tempestade. Palavras e dardos. Só a poesia me salva. Vaga-lumes no meu quarto,

Me esperam.

Talvez era só uma cócega era passageira

Talvez amanhã diremos foi melhor assim, talvez amanhã voltemos a nos falar. Ninguém sabe, quem sabe? O que me importa é agora que penso em você. Já é tarde, sempre foi tarde e sempre será tarde para nossos atos. O amor é um teatro, é palco com coadjuvantes fora de cena. Uma trama dramática de loucos que amam sofrer. Somos nós distantes e já que nem somos agora, somos passado. Um futuro interminável. Interminável é a vida agora. O relógio que toca irritante as horas. E o amor, quem saberá o seu tempo? O seu fim? Agora é de você que meu corpo precisa. Meu corpo fraco e seu corpo frágil. Meu cálice. Meu cais, meu navio oceano atlântico, minha alusão: meu tudo e nada. Peço desculpas ao que somos, dois olhos distantes. Dois olhos que se afrontam e se questionam em silêncio. Hoje como um desesperado acendo todos fogos de artifícios que no mundo houver, só para você me ouvir. Teu sono profundo. Tua noite sem sono. Meu erro. É o amanhã que vivo sem saber que sou seu, sem saber do valor que me tens. A vida sem história é uma insignificância e a nossa história apenas começa, como o disco riscado que toca nessa caixa de ruídos, é a nossa musica, a música que não se cansa, que não tem fim. Talvez amanhã diremos enganados, foi melhor assim. Que pouco nos conhecemos, pouco nos conhecíamos.