17 de novembro de 2016

Duna

Meteoritos e cristais invisíveis
dançam no espaço
para que possa vê-los
Tomam formas e em instantes
vão do amarelo ao vermelho
e dão lugar ao azul!
Formam-se em hologramas
e vão parar em sua estante
(Só pra te surpreender)
O que pequeno era antes
no agora se tornou gigante.

(Clayton Pires e Douglas Prado)

16 de janeiro de 2016

BUSSOLA

De onde vem os versos?
dos fatos, cortados, nos pulsos
o verbo: vogar.

das tantas idas e voltas
momentos [dispersos]
e os gestos, do sons e os ditos
populares

Os ritos, os discos, pergaminhos
e riscos ( mantras em estado de efusão)
No batuque, o ritmo, no coração.

Do tempo, a carga, um objetivo contínuo
Amar-te como a mim mesmo.

11 de novembro de 2015

Resiliência


Ver o mundo como uma paisagem em relevo
Ouvir ruídos ventania na janela
Apenas observar o verbo em silêncio
Pois o dedo em riste arrisca afrontar o universo
E ateia, inconseqüente, cometas velozes no espaço
Que se chocam sempre em terreno frágil.
Ver a vida como uma paisagem e relevar
Cada folha deixada para trás,
Pois tudo que destrói se renova e apaga
o que não resiste na memória.
Dar prioridade ao ser humano, atento aos seus meios, cada passo e fins
Buscando respeitar o tempo de cada um.
Aproveitar toda matéria que lhe cabe mãos.
Somar todo terreno que a vista alcança
Tendo a certeza da distância que a lança aponta num coração em perigo.
Valorizar o que é ingênuo e tranquilo
O que não teme nem assume
O que sente fome e transforma em oportunidade o que é perdido.
O que se ajoelha para agradecer o momento em oração.

Clayton Pires

7 de março de 2014

Fonte

que desejo
a vida que reluz
nos olhos teus: ouro

Renasce então
o desejo
infanto

protejo

18 de fevereiro de 2014

Emaranhado


Entre o sonho

deixo pôr
{Hora 
a estampa}
à navalha 

E estanco
Em tempo:

desfaleço
engodo 
enlaço

No tempo
morre
o invisível

A falta, 
o espaço.

17/02/2014

14 de janeiro de 2014

Por fim me distraio

Foi só para lembrar das vezes que nos alertamos, daquelas coisas que falamos sobre isto ou aquilo, que o mundo é perigoso e como sempre brigávamos quando eu te achava inocente das coisas. Há tanto tempo vejo que também sofro do mesmo erro; Acho que contigo aprendi a ver o mundo de uma forma mais leve, e o mundo mais leve é feito de pessoas como você. Já nem sei mais o que lhe dizer, foram tanto tempo dizendo tantas coisas, tantos vôos perdidos, tantas histórias mal contadas.

Ainda hoje tenho aquele relicário que você me deu. Acho que parei no tempo e prefiro estar assim. Pensar em você é meu ponto de conforto.

O mundo é um teatro.

Quando me exponho nas ruas, passo em frente das lojas e vejo aquele vestido azul que você adora, esqueço das coisas, passam carros e me vêem estático e de súbito percebo dono da loja que também sorri.

Um estado de memórias mortas talvez.

Me pergunto onde foi que nos perdemos, ou por que foi que nos encontramos?

O amor verdadeiro, não é pra sempre?

Seus olhos um dia me filtraram, perfuraram meu peito como uma flecha.
Já se passaram tanto tempo e tantas coisas pelas nossas mãos, eu já nem sei se em ti passou algum pensamento sobre mim.

 Eu preciso confessar, não consigo te esquecer.
A dor de não te ter comigo é algo como uma cicatriz que se tento arrancar sangra, mas se acalento, faz arrepios. Eu finjo não sentir.

Foi por você que arranquei minhas armaduras e só a você que amei e só a você me desfiz.
A mim você foi a melhor coisa que aconteceu.

 ó! por quê estou falando tanto de você? um dia pensei diferente.
Devo estar num estado de redenção.

 Te lembra da música?
Seu olhar deixou vácuo no meu peito.

13 de janeiro de 2014

Às traças



Primeiramente me desculpe
Meu bem, se eu já me esqueci
Como se faz um poema
Como já diz o dilema
Em roda de samba
Quem perde a lenha
Que invente a letra
E desça o morro pra cantar
Com os bambas:
Por hora me desculpe meu amor
É que por enquanto no copo
De gole em gole me esqueço
Do encanto, de seus risos
E seus cantos e meus tropeços
Não me canso:
Sou atentado na rima e no avanço
Já estou contente e em meu passo
Sinto mais leve em seus passos
e me enlouqueço no ônibus que passa.
 Meu bem, me perdoe
se por último nos dissemos
de acertos e perdas
Se eu já nem lembro
De quando começamos

Se eu só sei do agora
e por enquanto
Que de súbito me lembrei
De você e no entanto
Me entrego a mais uma taça

E agora, como vou embora
se nem aomenos te escrever
uma carta ilusória?

1 de janeiro de 2014

Concepção


Digo coisas óbvias
como fosse um Deus,
como se achasse que tudo que eu digo
tem algum valor.
Mas eu sei que não tem valor algum,
como sei que marcas também não seriam marcas se não houvesse
numa estação de radio um locutor
repetindo várias vezes um nome
ou colocando para tocar sempre a mesma música do mesmo músico
talentoso
e de alto QI
para todos ouvirem
e colocar seu nome em risco:

-Jogo meus 23 anos de radialismo no lixo
se isso aqui não se tornar um sucesso.

Ele também era Deus.
O outro também será Deus.
Deus foi meu pai quando me criou.

Mas o que importa na vida é a continuidade.
Morrem todos os dias sonhos.
morrem junto dos homens.
Mãos dadas, malas, maletas e o passado.
Morreu junto com a esposa que cuidava de casa
a mulher que cuidava do marido.

São novos os tempos: Hoje é tempo de Glória.
Conquistamos a independência.
Conquistamos tudo: Um país sem preconceitos
um país sem passado
Um país sem porteira
Um país sem caixão
Sem eira nem beira.

Passaram se 500 anos
e muita história se contou
Para um povo sem sonhos
um mundo de carroças.

Para Homens espertos uma fronteira
e a oportunidade:
Safa-se quem ouve
e manda quem pode.

E eu rimo.
Ontem mesmo que já ia me esquecendo
dei de cara com o muro
e sai atordoado
Pensando no passado
achando que sabia do futuro.

Concepção


Digo coisas óbvias
como fosse um Deus,
como se achasse que tudo que eu digo
tem algum valor.
Mas eu sei que não tem valor algum,
como sei que marcas também não seriam marcas se não houvesse
numa estação de radio um locutor
repetindo várias vezes um nome
ou colocando para tocar sempre a mesma música do mesmo músico
talentoso
e de alto QI
para todos ouvirem
e colocar seu nome em risco:

-Jogo meus 23 anos de radialismo no lixo
se isso aqui não se tornar um sucesso.

Ele também era Deus.
O outro também será Deus.
Deus foi meu pai quando me criou.

Mas o que importa na vida é a continuidade.
Morrem todos os dias sonhos.
morrem junto dos homens.
Mãos dadas, malas, maletas e o passado.
Morreu junto com a esposa que cuidava de casa
a mulher que cuidava do marido.

São novos os tempos: Hoje é tempo de Glória.
Conquistamos a independência.
Conquistamos tudo: Um país sem preconceitos
um país sem passado
Um país sem porteira
Um país sem caixão
Sem eira nem beira.

Passaram se 500 anos
e muita história se contou
Para um povo sem sonhos
um mundo de carroças.

Para Homens espertos uma fronteira
e a oportunidade:
Safa-se quem ouve
e manda quem pode.

E eu rimo.
Ontem mesmo que já ia me esquecendo
dei de cara com o muro
e sai atordoado
Pensando no passado
achando que sabia do futuro.

Concepção


Digo coisas óbvias
como fosse um Deus,
como se achasse que tudo que eu digo
tem algum valor.
Mas eu sei que não tem valor algum,
como sei que marcas também não seriam marcas se não houvesse
numa estação de radio um locutor
repetindo várias vezes um nome
ou colocando para tocar sempre a mesma música do mesmo músico
talentoso
e de alto QI
para todos ouvirem
e colocar seu nome em risco:

-Jogo meus 23 anos de radialismo no lixo
se isso aqui não se tornar um sucesso.

Ele também era Deus.
O outro também será Deus.
Deus foi meu pai quando me criou.

Mas o que importa na vida é a continuidade.
Morrem todos os dias sonhos.
morrem junto dos homens.
Mãos dadas, malas, maletas e o passado.
Morreu junto com a esposa que cuidava de casa
a mulher que cuidava do marido.

São novos os tempos: Hoje é tempo de Glória.
Conquistamos a independência.
Conquistamos tudo: Um país sem preconceitos
um país sem passado
Um país sem porteira
Um país sem caixão
Sem eira nem beira.

Passaram se 500 anos
e muita história se contou
Para um povo sem sonhos
um mundo de carroças.

Para Homens espertos uma fronteira
e a oportunidade:
Safa-se quem ouve
e manda quem pode.

E eu rimo.
Ontem mesmo que já ia me esquecendo
dei de cara com o muro
e sai atordoado
Pensando no passado
achando que sabia do futuro.

Carta de Hiroshima

Carta de Hiroshima

É por minimo cuidado o que fazes.
Teu peito é um espaço gigantesco
Um terreno baldio, um espaço 
para gatos vadios ladrearem
sonhos nas palmas de tuas mãos 

vejo sempre granadas.
Que apertas tão delicadamente
Como fosse uma criança decidindo 
um futuro fim. 

E Sangra o teu gesto.

 Penso eu, que futuro?
Se agora não sentes controle
Nem mesmo do que há dentro de si.

Na tua cama, embaixo do travesseiro
Sei que guardas minha fotografia
Sei também que não sentes culpa
E que não há espaço para o que por

conseguinte, procuras.
Foi a tua vida toda um legado, matar.
Ódio é teu sentimento primário.
Matas por glória e o fogo que sentes prazer em atear

Não me atrai. Vejo tudo como um filme:

Há décadas nos desamamos
E eu ainda passo sombrinha
Embaixo dos braços
Em frente ao quartel
Pisando cascas de ovos

-Destroços de uma guerra feita
[por paz.

Hoje estamos bem, em nossas lembranças
Um dia éramos estranhos.

Olhe só!
Tomei até a liberdade de mudar o tom.
Te Lembras do rádio?
A 9° Sinfonia de beethoven ainda passa
Arredia em mim.
Veremos que era sim que devia ser.

A nós, as histórias que resistem.
e a você dedico mais um ano
para não morrer de culpa.

23 de setembro de 2013

pas-de-deux

espero que o tempo me traga paz e ciência.

13 de março de 2013

VII

digo verdades
-não brinco-
se colo no teu ouvido
é porque te quero
(não duvide)
Eu sei de-cor
a cor do seu brinco.

VI

Não mão largo de mim. Mãos dadas. Abraços dados. Sigo em frente em passos longos. Passos largos. Passos que marcam. Meus olhos em maré tempestade. Palavras e dardos. Só a poesia me salva. Vaga-lumes no meu quarto,

Me esperam.

Talvez era só uma cócega era passageira

Talvez amanhã diremos foi melhor assim, talvez amanhã voltemos a nos falar. Ninguém sabe, quem sabe? O que me importa é agora que penso em você. Já é tarde, sempre foi tarde e sempre será tarde para nossos atos. O amor é um teatro, é palco com coadjuvantes fora de cena. Uma trama dramática de loucos que amam sofrer. Somos nós distantes e já que nem somos agora, somos passado. Um futuro interminável. Interminável é a vida agora. O relógio que toca irritante as horas. E o amor, quem saberá o seu tempo? O seu fim? Agora é de você que meu corpo precisa. Meu corpo fraco e seu corpo frágil. Meu cálice. Meu cais, meu navio oceano atlântico, minha alusão: meu tudo e nada. Peço desculpas ao que somos, dois olhos distantes. Dois olhos que se afrontam e se questionam em silêncio. Hoje como um desesperado acendo todos fogos de artifícios que no mundo houver, só para você me ouvir. Teu sono profundo. Tua noite sem sono. Meu erro. É o amanhã que vivo sem saber que sou seu, sem saber do valor que me tens. A vida sem história é uma insignificância e a nossa história apenas começa, como o disco riscado que toca nessa caixa de ruídos, é a nossa musica, a música que não se cansa, que não tem fim. Talvez amanhã diremos enganados, foi melhor assim. Que pouco nos conhecemos, pouco nos conhecíamos.

11 de março de 2013

Esfera

Me pedes um poema meu
- ponto fraco - não sei dizer-te
'lhe amo' e nem te chamo
se estou bem não preciso da poesia
porque sei que me queres em sintonia
sempre mais e eu não consigo
deixar-te meu abraço cativo
Porque Meu deus, me esqueço
sempre que tento te dizer
o que sinto, acabo só rindo:

são nos seus olhos que me aqueço
mal do destino, me enlouqueço
sem você - sou - caso perdido

quando no ponto de ônibus
me esperas, errôneo me atraso.

Clayton Pires

14 de fevereiro de 2013

Reclamas




Reclamas em frente ao guarda roupas
do meu jeito de pensar nas coisas
das vezes que abres a porta e travas
lutas imaginárias em pedaços de panos
enrolados em teu corpo e dizes
nunca estar satisfeita e a culpa é sempre
[tua.

passam dias e passam noites de remelexos
lá fora, o mundo nos cobra sacrifícios
mas continuamos firmes, quando
não fazes o almoço, o arroz eu queimo.
E reclamas do meu jeito distraído
de viver sem saber do amanhã.

e te viras em revolta e silêncio
enquanto anseio pequeno em coração
e me calo vendo o que queres que faça.
Pois se queres reclamar, reclama.
que seja teu espelho breve em cantos
e discursos de guerras pelo futuro
que dormir sozinho nessa cama de solteiro.
E quando te viras e encobre só teus pés
eu não me importo. Se assim é, descubro.

28 de agosto de 2012

Terminaremos todas as noites só por costume. Não para lembrarmos de histórias de filmes tristes, só pra incertos, desconhecermos algum futuro. Olha só o meu plano, estaremos juntos, todas as manhãs, com todas as manhas de aliança, com a certeza de "tudo acabou." Ainda com a impressão de um novo começo...

Como todas as noites que terminamos, por costume.

COMO FOSSE ONTEM

Um dia morrerei como um gato

em meus 7 mil sonhos distantes.

embrulhados numa gaveta

como num caixão

Clayton Pires

restrito



filme em branco e preto
Voltemos ao inicio
Passado como um grito:
Princípios sejam dardos.

4 de julho de 2012

Ato falho



Tomei o caminho do mundo.
Adeus!
A porta de serventia é a saída de casa.
que me fique a dor não entendida
a dor não entendida é só minha.
Que fiquem as palavras para trás.
O lugar onde vou, que se não me alcancem,
Nunca serão usadas.
Tomei o peso do vento em minha face de orvalho.
Adeus!
que seja meu coração velho verdadeiro e desgovernado.
Está a vir um tempo de luz
que ando passos largos no escuro e caio.

Tomei medíocre o medo do mundo
e agora calo.


Clayton Pires

18 de junho de 2012

Vaidade



Quero lhe mostrar o teu valor
e neste momento não brinco
Brincamos, e ponho à prova
Teus vestidos ao mundo:
Todos se acabam.

Não falo de brincos e cosméticos
Me ponho aos pés de teu ouvido
E nos vejo na alameda, na alameda
Onde ficamos, no parque
Todos se perguntam a tua elegância
e não são apetrechos que olham:
Vêem crianças ainda sentadas.

Somos nós já velhos
Cheios de areia nos vãos das mãos
Areias não, o tempo.

Continuamos como antes
Nossos olhos valorosos
erguendo castelos de areia

infinitos

Clayton Pires

Alheio



Faço um verso furta-cor
E vejo: espadas cortam flores
No ar. Não espadachins
Voam despedaçadas folhas

Me abro, era escuro falho
minhas mãos na lama
Esperando. Alucinações.
um vaso de barro transforma,
Se importa é o meu coração.

Dentro é o antes, disperso
Se toca, eu falo.

Clayton Pires

16 de junho de 2012

Miragem

Olhe a tua volta
Se não há ninguém
Ninguém que se importa
Ou não te importas
em ninguém?

Algumas vezes


As coisas me somem em mãos
E me distâncio com a ventura do peso
e me pergunto, se algumas vezes
As coisas não aconteceriam
Como em desenhos manuscritos
Em letra de aprendiz - eu vou ser -
E o futuro me toca como coisas novas
Que precisei destruir para não saber
Algumas vezes me perguntam
Por onde estava e o que fazia
Em todo esse tempo e eu não sei dizer:

Algumas vezes,
as coisas me escapam pelas mãos.

Clayton Pires

11 de junho de 2012

Clara Luz



palavras de rios
em rios

ri achos

se descobrindo
selva aberta

nós dois
perdidos

A sóis.

Clayton Pires

20 de maio de 2012

Domingo


uma palavra que não se expresse.
é o que pede hoje garçom, cansado
hoje é domingo dos sinais.
lhos fatigados de luzes coloridas
gritos de esperanças, de músicas, de distrações
hoje, sem café expresso, um dia
acordar pisando diferente
do que diferem as noticias do jornal semanal:

o governo prepara a muralha.
a sociedade está em perigo.

o corpo, a mente, o povo se cansa.
alguns se encarregam à bandeira ordinária
dessa patriarca dança desesperada,
pois hoje é domingo família unida.
sortudos sacrificam semanas para isso
fim de semana filhos na casa dos namorados
meio ano e meio um acidente fatal cortou na lua um ciclo
ciclo de luta em meio. Paira hoje dia de que?
dirá, dia de domingo de choramingo meu amigo.
nuvens, futebol, novelas, papos de segunda-feira.

jornal expresso começa o trabalho
e garçom tem folga para afinal de contas
pagar as contas atrasadas
para fugir meu costume banal de semana o de sempre
Um café expresso jornal fechar a conta
fechar a conta meu amigo
de apreços e de luta. Meu parceiro matinal. Hoje
uma palavra nova cheia, uma palavra menos tédio, fatiada
uma palavra agora passa, uma palavra parceira, meu amigo.
tudo bem, vai ser tudo bem amanhã.

Clayton Pires

25 de abril de 2012

Inevitável



eles dizem qualquer coisa
e logo se vêem
dois olhos
uma noite
imaginando-se adentro
um espírito
se dizendo em bala
ânsias
auto mar
um balanço
e o corpo se diz tired
e se lança
um cansaço
sensação de infinito
pés descalços
corpos em lençóis freáticos
e em duas mãos
duas estacas
um compasso
dois corações se livram.

Clayton Pires

19 de abril de 2012

Ciências irrelativas da Humanidade


Buscando a certeza

Duro no duro

Ponto de início sem meio


e finalmente


a beira-rio


um precipício rochas


felpudas em desalinho


pular a beira de um precipício


a vida solida


peixes ex-cardume


ex- conhecido


solidão


Pular a beira um precipício


Solidão


Pular a beira um precipício


Sólido


Solidariedade

Clayton Pires

Sobre termos montaremos nosso castelo


Viveremos de ar e flor e doces de cantina
cantarolando ventos esparsos pelo mundo.
a vida não pede mais que nossos olhos
a vida não nos impede de ser livres
sobre termos montaremos nossos castelo

O primeiro eu te amo tímido
O primeiro dia o parque o bosque
lembrar pontas suaves e mãos e cabelos
e dar um nome e gerar uma filha
talvez será de luz de anjo ou de menina
talvez maria beatriz serafina não sei
sobre termos montaremos nosso castelo

teremos um cavalo gordo dourado,
ele ficará doente vai nos dar trabalho
e trazer o pão o leite o arroz o feijão
o futuro que não vivemos não pertence
sobre termos montaremos nosso castelo

Até um dia o vento forte e desesperado chegar
(como já me ouvias dizer) de passado
e do que esperava, de terno e forte
irei enfrentá-lo e serei derrotado
de firme e forte nossos termos ficarão

o vento forte levará nossa filha
o vento forte levará nosso cavalo
o vento forte levará meus pensamentos sãos
sobre termos morrerei sob uma noite fria
e em termos todos rezarão a missa
o inventário, irão fazer justiça

Sobre termos destruirão nosso castelo.

Clayton Pires

23 de março de 2012

História de Pescador



E nunca mais mentiu a ela, disse rio é maior passatempo de vida, não explicou nem mostrou nada.

Clayton Pires

22 de março de 2012

Prelúdio

Prelúdio

Me dê uma estrela
embaixo dos olhos seus
me dê um céu, me dê um mar
embaixo dos olhos seus
para que eu possa voar
para que eu possa sentir
o cheiro de nuvens
embaixo dos olhos seus
e de trás de sua nuca
e não me diga nunca
e nunca me diga em vão
dentro dos olhos seus
eu quero o brilho
para dormir dentro
dos olhos de encanto
que me deixem confiar
e te dizer o quanto
sinto e vivo e temo
embaixo de olhos seus
que a chuva derreta
nosso castelo de chocolate
embaixo dos olhos seus
e me transforme em areia
e que o sol me queime
embaixo dos olhos seus
e me transpareça em nada
que eu tenha vivido
antes dos olhos seus.

Clayton Pires

20 de março de 2012

Mono-político


Falar e ver política as vezes me cansa. É mais fácil viver. Dizem que o tempo é dono da razão e qual é a razão tanto esperamos? A de Olhar o passado e dizer: Está certo, está bom, já foi pior em outros tempos. Mas os questionamentos grotescos e infantis que rondam minha cabeça são, já foi pior em qual sentido? O governo está mudando, estão tomando medidas cabíveis para acabar com a fome: Cesta Básica, Bolsa família, Vale Gás, Vale gravata, Vale Combustível, Vale-tudo.

Vale tudo para conseguirmos o que queremos:
A Cidade em tempo de reeleição se transforma num canteiro de projetos e obras.
Os vereadores e governadores e presidentes vão todos para o topo dos out-doors.

Prefiro passar essa palavra para o português, Embrasileirando a minha criatividade, dar um jeitinho de acordar dessa ilusão de minha cabeça que acha que tudo pode mudar e um dia imaginar que esses políticos sairam pelas portas, sairam pelas portas da desgraça e ficaram na memória das pessoas que são eles todos um amontoado de lixo, que não se importam com o ser humano e sim só com o Eco de seus nomes. Não adianta fingir estar de acordo, que está melhor, que vai melhorar. Do jeito que está o sistema Brasileiro, as coisas não vão melhorar nunca. Porque o povo vota e dita: Ah, ele roubou, mas ao menos no tempo dele tinha comida para os meus filhos na escola. Ele é um bom homem. Sim, mas se tocarmos no assunto escola, qual é a escola do estado que é levada a sério nesse Mundo? Qual é o professor que é bem remunerado? E qual é o aluno que está dentro da escola pública vendo toda essa sujeira e tem algum sonho de futuro? Brasil terra de ninguém, terra sem futuro. Não vou nem falar de futebol, esse assunto tão gasto e tão casto.

Para o fundo do baú das coisas não importadas e sem interesse.

Cordialmente, Clayton.

13 de março de 2012

Sobre a liberdade

O que penso: Algumas pessoas falam tanto de tédio, mas esquecem de procurar o que fazer. Algumas pessoas falam tanto da situação de sua cidade, de seu estado, de seu país, mas não fazem nada para mudar. O que me deixa indignado, é aquele atestado que diz os direitos do ser humano, que fala de liberdade, e que quando crescemos, iremos perceber que fomos enganados. O que me deixa revoltado é ver tantas pessoas esquecidades, perdidas em seus escombros, pessoas sem nome, pessoas que foram transformadas em marginais, pelos olhos do Rei, do dono da verdade. As pessoas que esperam um herói, mas só conhecem os Heróis que passam na TV, que resolvem todos os problemas facilmente, sómente maquiando a cara e indo para um palco. Aquelas pessoas acham que o Herói deles nasceu com um dom, que O Divino Senhor os deu a graça. Não se lembram, que para o Herói ser visto, precisa estar entre eles. E que eles poderiam mudar tudo, que eles poderiam também, vestir suas fardas, vestir suas máscaras e sair pra rua: Estampar nos muros a claridade de seus braços, se suas forças, de que na verdade nascemos juntos num universo, e que a única coisa que está estampada em nossa cara é o desejo de união. Não desejo de ter um carro novo, de ter uma casa. Antigamente as casas eram feitas de Sapê. Queria que as pessoas soubessem, que as coisas simples, as coisas mais fundamentais, são as mais sem graças. Por isso, é que elas não percebem a graça das coisas e vivem entediadas com a demora para as coisas mudarem, vivem entendiadas com a falta de problemas de verdade, porque o mundo dá tudo em suas mãos e só precisa que eles sacrifiquem seus espíritos. Não falo de Alma, alma é intocável. É o sopro de Deus, é a diferença de cada um. Falo de liberdade.

Clayton Pires

27 de fevereiro de 2012

Uma Réplica de José

Uma réplica de José

José, olhe José:

Não é uma estátua.

José, estás tão longe

E as vistas tão turvas.


Se olhasses mais perto

José, o que vês, não é o mesmo

Ponto de Maria, a dor dela

É indiferente, José.


José, as tuas contas,

Os inventários, José

de tua casa, do sistema

Já conheces o terço.



José, teus planos,

Juntaste os panos,

Tua mulher é forte José!

Teus filhos crescem.


José e a tua labuta

Teu nome, teu trabalho

José, Teus meandros -

És reconhecido, José?


Hoje, tens febre interna.

Mas amanhã terás novas.

José, pensas no exterior:

E teus amigos, José?



No meio da praça pública

Conheceste um mendigo,

Pediu-lhe pão e abrigo

e ofereceu-lhe um sorriso

trocado como gratidão.



José, as aulas começaram,

Carnaval já passou, mas

A banda ainda passa.

É tempo de mudança.


O mapa astrológico diz:

Tudo irá bem José!

José, para tua sorte,

O governo promete.


Leia mais jornal, José

José, estude as oportunidades

José, teu carro novo, batido

O outro, fugiu.

Podias morrer José!



José, o hospital cheio

Os médicos ocupados

O Brasil está doente.

Não te desespere José!

Estás ferido, Mas

não perdeste a guerra

Pensas em teus filhos?

Pensas, ó Deus?


José, espere José,

Ainda não é tempo

Não feche os olhos

José, espere!

A noite acabou.


Clayton Pires

23 de fevereiro de 2012

Mulheres

Tem gente que acha que mulher precisa ser sensual, que precisa, mesmo de um vestidinho, de um monte de tinta na cara e muitas aulas de dança, de sedução, de máscaras de perfeição, para conseguir se sentir mulhere de verdade, desejada pelo homens, e claro, precisa se sentir independente, do tipo que quer dizer; eu quero é só curtir, porque homem só pensa em sexo, homem é tudo igual. Esperam o homem que as ouça e diga: Calma querida, vem cá, dá um abraço: Comigo é diferente! E as usam como mulheres que elas pensam que tem que ser. Todas perfeitas, certinhas, conhecedoras e conhecidas do mundo. Ah, se elas soubessem do quanto gosto de histórinhas, de faz de contas, de sonhos e daquela idéia de infância de quem tem medo dos muros e murros do mundo. Se elas soubessem a diferença que faz um olhar, o poder de olhar, de poder confiar mesmo num olhar amigo, sem interesse algum nos momentos felizes e sim, simplesmente sorrir sem nenhum motivo. Ah mulheres...

18 de janeiro de 2012

Breve relato a uma pessoa preferida

há tempos devia ter feito isso, mas nunca é tarde pra morrer de culpa mesmo... Poderia ser uma mulher, qualquer uma, como daquelas que conhecemos na noitada e ficamos ansiados a encontrá-la noutro dia. Mas não. Houve uma história, uma história diferente. Ela era desinteressada das coisas e eu desinteressante. Acho que por isso combinamos. Dois anos de convívio virtual. Eu querendo vê-la na Webcam, coisa de moleque perdido, ferrenho e comum. Ela, nem aí, fingia de desentendida das coisas. Coisa de menina, sim, era uma menina. Este era meu encanto. (!) Com ela aprendi a conversar, a ver o mundo de formas diferentes, ela me falava de pintura, das grandezas do mundo, das vivências da cidade grande, da crueldade dos homens. ( sim, aqueles que pensam que mulher que é mulher sabe cozinhar, lavar e ser boa de cama.)Ela era boa de longe já se via seu coração, coração maior que a cara que vivia a tapas. Tapas do mundo? ó dúvida cruel, não sei, ela nunca me dizia as coisas por inteiro. Gostava de meias verdades. O nome dela? não sei, não lembro, nem sei se interessa a alguém. Descobri que ela era mulher depois de algum tempo. Isso se transformou em algo interessante. Quis encontrá-la, tinha telefone e peguei. Guardei seu número na minha carteira. Como garoto tímido que sou, resolvi deixar pra ligá-la num dia apropriado, quando estivesse cheio de novidades e surpresas. Ora pois, guarde isto, um tio, que vivia pelas ruas dizia, 'se fores pra guerra, guarde segredos em tuas mangas.' Tentei. Segui os conselhos do velho. Fiquei esperando a hora de ligá-la e prometia, prometia um dia encontrá-la e levá-la a lugares encantadores, encantadores como suas palavras. Mas sua voz? - A voz não sabia. Um dia, dia desses de se encontrar a família, resolvi fazer algo diferente. Fiz minhas malas e acenei ao meu povo: Adeus, estou indo de viagem. Era natal, melhor dia pra encontrá-la. As ruas vazias, cidade grande, todos moradores da grande Deusa de arranha-céus estavam indo para o interior, interior onde nasciam e se formavam e aprendiam a ser gente. Pra mim, a melhor hora, sem comprar presentes, fui me fazer presente e me aventurar em sonhos. Enfim, a encontrei, ela era simples, dizia que não era boa de histórias e não queria falar muito de si, queria saber de mim. Era realmente um sonho, mas tive bastante tempo para desvendá-la, não o suficiente, mas o bastante para realmente amá-la de verdade. Ela me falava dos laços de Clarice, da vida de Macabéia e Doralice e Ducinéia, Dizia ser suas crias. Me contava de suas trapalhadas (não dela, das meninas) Ducinéia era a mais esperta, não esperava a noite, gostava das tardes para fazer suas traquinagens, saia de casa ia pro bar, bebia arrotava, escrevia em guardanapos caminhos perdidos e ainda sobrava tempo para sacanear o diabo. Um dia, me disse, resolveu seguí-la, a espreita, entrou na casa errada, porque o diabo é errado e Ducinéia se despia para sua cara e tara de gozo. Ela via, via e chorava. Mulher de coragem, voltava pra casa desencantada. Pensamentos mils diferentes, olhos ágeis queriam fugir do mundo, realmente desistir. Quando voltava a ser criança, e Macabéia, sua doce menina vinha e abraçava suas dores, sorria, fazia tranças nos cabelos, pintava as unhas e fantasiava uma mulher de graça. Mulher de graça ela era e sabia e confiava em sua menina. Já Doralice era forte, menina do meio, revoltada e frígida com o mundo. Gostava de se maquear, conhecer pessoas e falar-lhe amores, falar-lhe vida, brincar de palhaça e delicademente contar-lhes verdades. Doralice era uma figura, amava arte e jogar, jogar cartas em garrafas de vidros na beira da praia. Aquela mulher, a mulher que falava, não sabia contar histórias e sonhava agir um livro, mas não falava como. Ela era uma mãe. dedicado a Olga mota. Clayton Pires

11 de setembro de 2011

Helloween

Que era para esquecê-la
e me vestir de morte
(em pleno dia de festas
das bruxas)
Bati à tua porta
Doces ou travessuras
Havia em mim esquecido
o doce brinquedo-travesso
Quando um gesto alegria
era um eterno momento
quasequando.


Clayton Pires

15 de agosto de 2011

Diálogo


‘Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.’ –Adélia Prado

vestida de flores
me dizes o que pensas:
do cotidiano,
na roça não há interesses
que descobriste nos reflexos
de um riacho
a lua amarela e cheia.
(no mês de agosto)
que é preciso ter coragem
de manhãzinha um trem
desce o morro pra cidade.
eu te puxo pela orelha
digo venha Adélia!
não te assustes.
eu conheço a Cidade.

24 de julho de 2011

Tardio

Tardio

faço de nossos laços sangue e escárnio,

e em minhas mãos imagens se destroem

seus olhares e seus risos – meu palácio –

que agora se esconde
entre muralhas
nuvens de fumaça

árvores e um Alerquim

já não são mais sonhos nem memória

nem fagulha nem cisco nem graça

pois da paixão arte de anjos e magos

o fracasso é um espelho entre caminhos

de areia movediça e lagos submissos

à estranheza de encontrar-se em pó.


sei da sensação de estar perdido

e de amá-la a ponto de no parque

um balanço azul no céu tornar-se tudo

enquanto nada aqui é sentido como risco,

não é preciso uma explicação maior

que o delírio de vê-la distante e fria

e me encontrar em desespero

ao ver o sol se pondo em minha carne

nesta ilha em que desfaleço desejos

em precipícios.

Clayton Pires

31 de maio de 2011






Vento
frio
que bate
na janela
fere            e         toca a sina

(...e passa)


A vida essa bússola sentida
ultrapassa o flerte.

25 de maio de 2011

A Orquestra

Naquela noite o teatro se movia
a platéia boquiaberta via a perfeição
da dança das bailarinas em melodia
ao tempo ao toque detalhado ao espaço

De repente me vi no fundo do palco:
um violino desatinado tremia tremia
e minhas mãos um som estranho
tocava sem nenhuma intenção

Sorria naquele momento, o medo
que não tinha e ria-se de estar em cima
do palco a euforia contida na platéia
em silêncio estremecia mil corações!

No fundo a moça tímida vestida de branco
se ria se ria e eu não sabia se em mim
era a alegria de vê-la brilhando
ou se por alguma natureza vinham
pirilampos brincar em minhas vistas

Sem esperar o fim da orquestra
ela correu até a porta, correu e eu a via
ir-se em nenhum caminho, ir-se e o violino
parecia gritar gritar gritar  e eu estava feliz

Naquela noite tive um sonho.


Clayton Pìres

8 de maio de 2011

Uma quadra boba pra colocar em teu quadro

Queria saber amar,
ser mais que amigo
não saber rimar
Ser teu abrigo...

6 de maio de 2011

Relicário

Relicário
(06/05/2011)

Pouco importam os poetas que passaram,
eles dizem a vida de forma tão triste e tão bela

parecem simples e insignificantes

quanto a pureza da primavera e suas cores

marcando andanças na querela de passos em luz
e não temem -fortalhões- não temem o mundo!

Tão desimportante o ato e o tombo
a escolha do roupante dos dias que se rompem sem pedir

[ tudo parece contínuo e melífluo
a fantasia de existir num sonho
que mesmo real
seja intenso e doloroso como um parto e um tiro.]

procuro a imagem do hoje e sempre,
como se não bastasse o passado a história do cotidiano em tinta
tudo fosse branco e vazio como o céu que vejo agora.

[procuro a promessa travada na garganta
o grito de esperança ao intangível.]

Trago comigo um saco de ossos roídos
e troco por um conto mesmo de carochinha
que valha ao mínimo alguma matéria, algum suspiro de cigarras de verão.

Pensei em criar canções de acalentar lembranças
e espantar fantasmas que as atraem.

um grito cortante, um ato que surpreenda
essas palavras bradas
que não saem no tom
persigo em tentativas na melodia dos pássaros
mas minha voz não tem som

não tem som!

No vagão de minha infância vejo janelas e construções
todos uniformes e andarilhos em constatações
de um futuro cheio de estrelas borradas em guache.

Saudades daquela criança vaidosa de olhos puros claridade,
antes de papai explanar sua metáfora
gritando um – já sei!

5 de maio de 2011

Um poema concreto entendível

Na sala de cirurgia

[a criança deitada na maca
[enfermeira e duas pedras de bater faísca
[Doutor com o coração na mão

A máquina de fazer vida e seu ensurdecedor som:

Pi__________________________________________________________