16 de fevereiro de 2011

FOTOGRAFIA


mãos sobre mãos
e o coração palpita:
um beijo sobressai
diante olhos aflitos.

na porta de meu quarto
guardo
a moldura de seu sorriso.

{para D.}

Clayton Pires

26 de janeiro de 2011

Em verso livre


Se um dia fizer um livro,
abusarei de um romantismo exacerbado
de quem fala-fala e não faz.
Não esculpirei em nenhuma pedra
meu nome – o poeta – que conhece
nos dicionários, todas as palavras bonitas
e não sabe usá-las.
Falarei as coisas sem sentido,
como o costume de tomar café gelado
no meio da tarde.
E se um dia a princesa do baile
chegar a perguntar:
'Ei, você, que está ai no canto,
a que veio?'
Direi nada.
Afinal a vida não é uma historinha
Pré-explicada.


24 de janeiro de 2011

eu tive um sonho

Eu tive um sonho. nesse sonho tudo era claro. te via seguindo uma trilha, pegando pedras e colocando em uma bolsa. não entendia o motivo. não sabia qual era seu destino. Temia vagar pela cidade sem nenhum sentido. Já era tarde, o sol escaldante ardia em minha pele. 
E seus olhos, ah, seus olhos espelhavam nas vitrines das lojas. Me seguiam, e eu, fingia não ver. tentava olhar para outra direção. Continuei andando entre as pessoas
de cabeça baixa, ouvindo meu silêncio. Anoiteceu, cheguei em casa e tudo se apagou. Quando abri os olhos, deitado em seu colo, pude ver o que me faltava. Em meu sonho, faltavam as estrelas que se guardavam em ti.

20 de janeiro de 2011

MOTIVO


“Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.” (Carlos Drummond de Andrade.)



Estes versos, Drummond,
Estes versos
e este conhaque, que te comove
(para alguns não valem nada!)
Estes versos, Drummond,
que me preocupam:
De que forma pensas tanto em ti?

Na Avenida, caminha José,
sem sina – o sonho –sem tino.
Tudo que ele quer é terminar
o trabalho, e deitar-se em uma rede.

Olha o Brasil, Drummond, que povo unido!
As crianças, de mãos atadas,
perdem seus pais – o país!
quantos dançam a mesma falsa marcha
ordem! – e se calam.

O mundo, Drummond, é tão grande:
as maravilhas que Deus nos deu,
eu desconheço as infinitas,
mesmo assim me vigio.

Pequeno, Drummond, que sei,
a querência que me come,
a luz que me afasta
o que me move, a revolta.

Clayton Pires

5 de janeiro de 2011

Poema à uma Estrela perdida


Ah, quanta graça tens no meio da praça,
dando suas piruetas e exibindo suas maracutaias.
e ficas sorrindo ao meu sorriso,
Eu esperando que se aproxime,
para então tocar em sua calda.
Sempre que fecho os olhos, lembro do seu brilho
da sua força ao saltitar de banco em banco
(com essa esperança cega sem costume)
Nunca se acerta em nenhum lugar.

Mas o que fazer?
Meu coração de concreto,
não é capaz de te conquistar.

Clayton Pires

3 de janeiro de 2011

ano novo...


fui ver a avenida

a multidão sorria e se cumprimentava,
meus amigos conversavam....
e eu,
eu me sentindo um nada
(afim de voltar pra casa).

ano novo...
eu, o mesmo.

30 de dezembro de 2010

DESGASTE (Clayton Pires)



O amor é isso, é aquilo, é assado.
é a lua, o sol, o banco...
As metáforas na beira do lago;
é verbo, ação, e mais tudo
que puder ser inexplicável.

Eu não quero o amor, não quero!
Esqueça destes traços mal-trocados e fica...
Aqui ao meu lado. 

13 de dezembro de 2010

SENSORIAL


O amor melhor ocupa o nada.
onde não cabe o pesar humano
a desculpa, e o medo oportuno.
-se a saudade é namorar o sofrimento,
eu me encanto com o calo das árvores.
Ó quantos riscos já se foram!
e a vida continuou engatinhando
distraída e inquieta ao presente.

Ao olhar o passado e pensar
que tudo é fracasso; paro.
É bem melhor sorrir de olhos fechados.

Há quem prefira andar preparado;
eu me entrego. Mulher, eu quero a carne
e o atrito. Aos poucos, abrando.

Clayton Pires

6 de dezembro de 2010

Inversão


Se dois corações se juntam,
Deve ter o cupido acertado
O ponto o flerte e o buraco

Mas se os dois se desprendem
E nada mais ocupa esse espaço
- quem será o culpado?

Clayton Pires

27 de outubro de 2010

o amor desgasto

O amor é isso, é aquilo, é assado.
é a lua, o sol, o banco, as metáforas
na beira do lago;
é verbo, ação, e mais tudo
que é inexplicável.

Eu não quero o amor, não quero.
 Esqueça desses traços mal-trocados
e fica aqui; do meu lado.

25 de outubro de 2010

acontecimentos

uma pilha de contas atrasadas
nas ruas as pessoas se matavam 
por nada
na sua cama um fim sem fim
uma sensação de liberdade
você me dizia pra sempre
o mundo explodia lá fora
eu nem acreditava.

18 de outubro de 2010

Irmandade


leio livros de enxerido,
gosto de conhecer sentimentos alheios.
(não porque fico falando da vida dos outros!)
é interessante a hora que a gente assusta e pensa
– absurdo! Isso não existe!
Para depois pensar de novo e me pondo noutro lugar
passo a só escutá-lo, sem querer compreender
só ouvir.



Clayton Pires

11 de outubro de 2010

O telefone



Mais uma vez o telefone toca,
já estou cansado de andar em círculos
Procurando saber o que fazer.

Mais uma vez o telefone toca,
E eu trancado neste quarto
Com o teto da cor dos seus olhos.

Hoje não consigo jantar:
As lágrimas querem me rasgar,
A garganta já não agüenta a mistura
Das palavras, da falta, do desgosto.

Mais uma vez o telefone toca,
sei que é muito cedo pra querer voltar.

8 de outubro de 2010

De tanto sonhar,
Acabei  me perdendo da realidade

Encontrei a Lua com um vestido alaranjado
Descansando em baixo de uma árvore do parque
Sentei ao seu lado direito e passei a ouvir suas palavras
Descontentes com as estrelas frias
Que tanto a deixara sozinha em tempestade.

Com um olhar terno prometi sempre acompanhá-la,
nas noites escuras, nas noites mais claras,
depois adormeci embriagado de felicidade
Naquele fim de tarde.

5 de outubro de 2010

quanto estou embaixo de seus olhos


.
.
.
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Quando estou embaixo de seus olhos,
sinto a segurança de pisar nas nuvens.
é como se o mundo nunca me tivesse feito triste
é como se me hipnotizasse com a sua luz.

Quando estou embaixo de seus olhos,
percebo o cheiro de perfume bater no horizonte
e as cores das flores cintilando pensamentos

Quando estou embaixo de seus olhos,
nada mais me importa, além do tico cálido
de céu de tarde que reflete seu sorriso.

Quando estou embaixo de seus olhos,
adormeço meus medos de criança.

2 de outubro de 2010

O nascimento

Ana maria beatriz. será o nome dela.
simples como todo humano deve ser.

carregará luz e sorrisos inocentes
lembrará jesus, quando agir por gentileza
como quem dá o coração a troco de nada.
(se bem que nunca fui tão crente na história da biblia...)
mas creio em Deus, meu bom pai.
Aquele que ensinou a dor ao nascimento
e a graça do sorriso sem nenhum dente...
e nos deu o fardo de viver guardando lembranças
ou esperando que a vida se fosse para uma melhor:
vigiai-nos, pois a hora está a chegar!
porque tanto querer a morte?
porque tanto olhar os passos do próximo?
Quando uma criança soluça um choro sem motivo...
é aí que meu coração aperta, e corre atrás de vida.
Quem sabe encontre mais um pouco,
só mais um pouco de motivo para sonhar.

1 de outubro de 2010

Bravura


Perambulava em seu barquinho náufrago
Em goles de uísque e comédia barata,
Cantando distraída, as lembranças de menina:

Êta vida dura, ô saudade...

Queria estar em terra firme
E entregar uma carta de independência
Aos santos Reis da cidade:

“ vamos trocar as moedas?
xeque mate!
Confiança por liberdade."

Clayton Pires

dediquei este poema à Olga Mota.

27 de setembro de 2010

A despropósito




Entre. Sinta-se a vontade. Aqui está o mapa e meu quarto desorganizado. Não há quereres guardados. Tudo que há aqui é por simplesmente estar ou porque estive e guardei sem querer. Não há fatos pendurados em quadros de paredes. Quando chove na madrugada, as gotas escolhem quais lembranças irão apagar.

Crio um monstro traumático embaixo da cama. Que desperta à luz da lua para tirar do meu mundo, paradigmas inexplicáveis. A mesa sempre foi inquieta. Sempre pediu mais e mais e mais. Eu, nunca soube a hora de parar. Obedecer o instinto acabou se tornando um vício. Coração? Este ordinário bateu forte um dia. Depois se jogou num buraco, indignado com os ciclos da terra, com os ciclos do amor. Ele não sabia jogar, não sabia viver.

A despropósito, as palavras não são ternas, as palavras não são calmas; as palavras são confusas e exageradas. Tal qual água de correnteza, que arrasta e afoga os sonhos mais esperados. Tal qual fogo em mata, que alastra, assustando a vida. Acabando com toda a incerteza dos desesperados.

Não há o que procurar neste espelho fragmentado que contorce imagens calculadas.
A despropósito, tudo isso só faz sentidos aos meus olhos quebrantados à realidade. O futuro sempre me foi um engano. Eu que nunca soube, mas sempre falei. Se ao menos Eu desse valor as palavras que solto ao mundo... Culpa da esperança, de acordar mais um dia pra viver mais um ultimo dia de vida.
De manhã acordo em gritos: Mãe, me dá cá o abraço de despedida, acho que vou morrer mais tarde. Pai, não te guardo rancor, pois nunca soube estar no seu lugar. Meu bem, minha amada. se não fugistes sem minhas malas, te daria a eternidade. João, cuida da casa que acho vou morrer mais tarde.

Saio de casa sem destino. Já fui a biblioteca e li duzentos prefácios de livros e nenhum me escolheu. A despropósito, levo uma mochila nas costas para carregar o fardo do meu desgosto. Homens tolos de seguir as palavras de outro homem!
"Venham comigo pois sou o único caminho da luz!" – Deus não é religião!

A despropósito, não quero explicação. Chega dessa crise de existencialismo. Quero descansar minhas mãos, quero apagar esse livro que vive aqui dentro. Quero enviar estas cartas sem destino.

Clayton Pires

22 de setembro de 2010

Aluado

eu sou capaz de seguir

sozinho
eu sou capaz...

mas quando é tarde
e a Lua começa
a assombrar as árvores
para o Sol poder descansar

é em você que penso.
 
Clayton Pires

19 de setembro de 2010

é tão difícil ter um pouquinho de atenção?