Na sala de cirurgia
[a criança deitada na maca
[enfermeira e duas pedras de bater faísca
[Doutor com o coração na mão
A máquina de fazer vida e seu ensurdecedor som:
Pi__________________________________________________________
5 de maio de 2011
12 de abril de 2011
Papos de Bar
Papos De Bar
#literaturanaquarta!
(12/04/2011)
O mundo não é triste. O mundo nunca foi triste. O mundo sempre girou em torno do nada e ninguém nunca encontrou o verdadeiro motivo. Para que os dias se repitam, como repetem os poetas essa pergunta: "para quê?" e repetem-se, sempre, adicionando algo à nossa rotina. Uma dose? outra namorada? Mais um ano?
O mundo não é triste. Ele pode ser até estranho, mas não triste. Alguém será se pergunta porque falo tanto dessa coisa triste?
Eu não quero falar da felicidade. Essa coisa simples. Tragédias são mais legais e dão muito mais. De onde veio? Como foi? o que é? Filho de quem? Mas ele era tão bom...
O mundo não é triste. A única coisa que me prega os olhos e me pega pelas pernas é a morte. O medo. O mundo!
Este. sim, este. Não ele não é triste. Assim como nenhuma história se começa do nada. Há sempre um pressentimento -um pré-fato- uma luz, um aviso: Eu já sabia! - como?
Não sei.
Essa mania de falar que o mundo é triste é para pessoas vazias (como quem quer impressionar e acaba de fazer uma rima.) Porém falemos de tristeza: não do mundo que nunca foi triste. Quiçá, estranho, desconhecido e fantasiado...Triste é não saber.
Imagine um bebê que acaba de sair do ventre de sua mãe e chora: Chora por quê criança? Mal sabes teu nome! me pergunto com os olhos.
E a vida continua no sorriso da mãe. Na graça dele ter chegado, na graça de tê-lo no colo e poder protegê-lo. Abraçá-lo dizendo: é meu filho!
Eu, cheio de graça, digo: triste é ser humano. Todo querendo se complicar. Cansado de ser gente. Cansado de ser pobre. Cansado das semanas. Cansado do trabalho. Cansado Por quê? Quer se mudar? O mundo continua o mesmo aqui e na China. O homem que me paga não está nem aí por saber que acabo de escrever esse texto mal redigido, também não quer saber se estava entre mim e o papel um copo de vodka ou se era pinga. Mas vai bem...Vai passar. Ele só quer alguém que produza o que o seu cliente quer e o agrade. Ok. O meu mundo vai bem. Obrigado
8 de abril de 2011
Simultâneo
Na janela a minha frente
há um monumento,
um belo monumento
um estrondoso monumento!
As vezes sinto medo
dos olhos que comparam
o grandioso espetáculo das aves
em todo fim de tarde,
a todo fechar de olhos.
Nos quadros da sala
há uma linha e a vida
que empurra e bate a porta
a cada passo, em busca
do tempo que observa
as escolhas da gente
sobre sonhos e rangidos
de cada amanhecer.
Sentimento é pedra,
a eterna repetição das cores
e a comparação da dor.
Neste momento,
o mundo é a coisa
mais insignificante a mim
entre estes escombros
desse filmes passados.
Toda história é verdadeira
e vem como um sopro
em nossos ouvidos
tentando abrir nossos olhos,
afastar o silêncio
dar sons às coisas.
Esta noite faço versos de luz
que me questionam,
enquanto vejo no espelho
minha imagem servida
em pedaços ao diabo.
Clayton Pires
há um monumento,
um belo monumento
um estrondoso monumento!
As vezes sinto medo
dos olhos que comparam
o grandioso espetáculo das aves
em todo fim de tarde,
a todo fechar de olhos.
Nos quadros da sala
há uma linha e a vida
que empurra e bate a porta
a cada passo, em busca
do tempo que observa
as escolhas da gente
sobre sonhos e rangidos
de cada amanhecer.
Sentimento é pedra,
a eterna repetição das cores
e a comparação da dor.
Neste momento,
o mundo é a coisa
mais insignificante a mim
entre estes escombros
desse filmes passados.
Toda história é verdadeira
e vem como um sopro
em nossos ouvidos
tentando abrir nossos olhos,
afastar o silêncio
dar sons às coisas.
Esta noite faço versos de luz
que me questionam,
enquanto vejo no espelho
minha imagem servida
em pedaços ao diabo.
Clayton Pires
27 de março de 2011
Chavão
Um anjo, eu quero! Um anjo!
Não me venha falar desta imagem –
O sobre algum conhecimento literário,
Da gramática ou das palavras simples, mal escolhidas:
Eu quero um anjo sem sexo! – precisa ter nexo
Todo o verbo que a gente dita ou pede ou faz?
É simples a mensagem da vida – a poesia!
– E toda a graça que há no fim.
Somos presos a essa melancolia adjetivada
A essas dúvidas e sentimentos momentâneos
Ao filme real que passa em nossos olhos – lembranças!
Ou silêncio – sendo uma doce bala,
Ou uma arma – Estando feliz
E sem nada que pese a consciência
Ou preocupado, querendo fugir da carga – O trem!
Posso até falar: Dos homens de coragem que dizem
atrás das paredes – Ele é louco – Está doente – Um desligado!
Eu só quero um anjo!
– Pode ser fantasia ou até convicção
(O real é o que há de palpável aos olhos)
Eu insisto! Um anjo! – e todas as repetições
E todos os lugares comuns que prezem em folhas
(que digam paixão ou inquietação ou fome)
Que me apareça do nada – como uma luz! Que se apaga.
Um anjo! Não me ouve? Um anjo!
Que simplesmente dê um caminho
– Me tire essa doença–
Essa alusão de que o mundo é um vácuo
Onde o nada impera.
Um anjo! Que pise de forma errada.
Que me cegue, para desejar o caminho contrário.
Que me mostre – realmente – que aparência não diz nada.
Que seja tão escroto quanto esse texto sem assunto
E forma pré-projetada.
18 de março de 2011
DESEJO
Durma agora meu bem,
durma, pois o sono silencia
o eco dessas palavras
e desses conflitos
que nos ferem e amedrontam.
Durma, pois o universo
é um mistério gigantesco;
mas ainda cabe em nossos olhos.
Clayton Pires
durma, pois o sono silencia
o eco dessas palavras
e desses conflitos
que nos ferem e amedrontam.
Durma, pois o universo
é um mistério gigantesco;
mas ainda cabe em nossos olhos.
Clayton Pires
10 de março de 2011
Signo
Como são falsos todos esses poemas,
demonstram de forma tão lúcida
a tristeza da paixão e angústia
de ver a vida passar como uma criança,
vendo carrosséis brincarem no parque
e ficar com o brilho da esperança
de poder tocá-los (e nunca conseguir).
São lampejos de sonhos encarcerados
Em busca de olhos que abriguem
As suas ânsias de sentirem-se vivos.
Conhecem só esse mundo cadafalso
onde o ator e a dama se criam
e inventam dramas e conflitos
e se rasgam em nome de guerras.
São falsos e só pedem piedade
pelo desejo de ter tudo em mãos.
Agora eles pedem a realidade,
lábios quentes colados na pele
a busca do verbo demente
flamejando a carne em trapos.
Clayton Pires
16 de fevereiro de 2011
FOTOGRAFIA
mãos sobre mãos
e o coração palpita:
um beijo sobressai
diante olhos aflitos.
na porta de meu quarto
guardo
a moldura de seu sorriso.
{para D.}
e o coração palpita:
um beijo sobressai
diante olhos aflitos.
na porta de meu quarto
guardo
a moldura de seu sorriso.
{para D.}
Clayton Pires
26 de janeiro de 2011
Em verso livre
Se um dia fizer um livro,
abusarei de um romantismo exacerbado
de quem fala-fala e não faz.
Não esculpirei em nenhuma pedra
meu nome – o poeta – que conhece
nos dicionários, todas as palavras bonitas
e não sabe usá-las.
Falarei as coisas sem sentido,
como o costume de tomar café gelado
no meio da tarde.
E se um dia a princesa do baile
chegar a perguntar:
'Ei, você, que está ai no canto,
a que veio?'
Direi nada.
Afinal a vida não é uma historinha
Pré-explicada.
abusarei de um romantismo exacerbado
de quem fala-fala e não faz.
Não esculpirei em nenhuma pedra
meu nome – o poeta – que conhece
nos dicionários, todas as palavras bonitas
e não sabe usá-las.
Falarei as coisas sem sentido,
como o costume de tomar café gelado
no meio da tarde.
E se um dia a princesa do baile
chegar a perguntar:
'Ei, você, que está ai no canto,
a que veio?'
Direi nada.
Afinal a vida não é uma historinha
Pré-explicada.
24 de janeiro de 2011
eu tive um sonho
Eu tive um sonho. nesse sonho tudo era claro. te via seguindo uma trilha, pegando pedras e colocando em uma bolsa. não entendia o motivo. não sabia qual era seu destino. Temia vagar pela cidade sem nenhum sentido. Já era tarde, o sol escaldante ardia em minha pele.
E seus olhos, ah, seus olhos espelhavam nas vitrines das lojas. Me seguiam, e eu, fingia não ver. tentava olhar para outra direção. Continuei andando entre as pessoas
de cabeça baixa, ouvindo meu silêncio. Anoiteceu, cheguei em casa e tudo se apagou. Quando abri os olhos, deitado em seu colo, pude ver o que me faltava. Em meu sonho, faltavam as estrelas que se guardavam em ti.
E seus olhos, ah, seus olhos espelhavam nas vitrines das lojas. Me seguiam, e eu, fingia não ver. tentava olhar para outra direção. Continuei andando entre as pessoas
de cabeça baixa, ouvindo meu silêncio. Anoiteceu, cheguei em casa e tudo se apagou. Quando abri os olhos, deitado em seu colo, pude ver o que me faltava. Em meu sonho, faltavam as estrelas que se guardavam em ti.
20 de janeiro de 2011
MOTIVO
“Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.” (Carlos Drummond de Andrade.)
Estes versos, Drummond,
Estes versos
e este conhaque, que te comove
(para alguns não valem nada!)
Estes versos, Drummond,
que me preocupam:
De que forma pensas tanto em ti?
Na Avenida, caminha José,
sem sina – o sonho –sem tino.
Tudo que ele quer é terminar
o trabalho, e deitar-se em uma rede.
Olha o Brasil, Drummond, que povo unido!
As crianças, de mãos atadas,
perdem seus pais – o país!
quantos dançam a mesma falsa marcha
ordem! – e se calam.
O mundo, Drummond, é tão grande:
as maravilhas que Deus nos deu,
eu desconheço as infinitas,
mesmo assim me vigio.
Pequeno, Drummond, que sei,
a querência que me come,
a luz que me afasta
o que me move, a revolta.
Clayton Pires
mais vasto é meu coração.” (Carlos Drummond de Andrade.)
Estes versos, Drummond,
Estes versos
e este conhaque, que te comove
(para alguns não valem nada!)
Estes versos, Drummond,
que me preocupam:
De que forma pensas tanto em ti?
Na Avenida, caminha José,
sem sina – o sonho –sem tino.
Tudo que ele quer é terminar
o trabalho, e deitar-se em uma rede.
Olha o Brasil, Drummond, que povo unido!
As crianças, de mãos atadas,
perdem seus pais – o país!
quantos dançam a mesma falsa marcha
ordem! – e se calam.
O mundo, Drummond, é tão grande:
as maravilhas que Deus nos deu,
eu desconheço as infinitas,
mesmo assim me vigio.
Pequeno, Drummond, que sei,
a querência que me come,
a luz que me afasta
o que me move, a revolta.
Clayton Pires
5 de janeiro de 2011
Poema à uma Estrela perdida
Ah, quanta graça tens no meio da praça,
dando suas piruetas e exibindo suas maracutaias.
e ficas sorrindo ao meu sorriso,
Eu esperando que se aproxime,
para então tocar em sua calda.
Sempre que fecho os olhos, lembro do seu brilho
da sua força ao saltitar de banco em banco
(com essa esperança cega sem costume)
Nunca se acerta em nenhum lugar.
Mas o que fazer?
Meu coração de concreto,
não é capaz de te conquistar.
Clayton Pires
dando suas piruetas e exibindo suas maracutaias.
e ficas sorrindo ao meu sorriso,
Eu esperando que se aproxime,
para então tocar em sua calda.
Sempre que fecho os olhos, lembro do seu brilho
da sua força ao saltitar de banco em banco
(com essa esperança cega sem costume)
Nunca se acerta em nenhum lugar.
Mas o que fazer?
Meu coração de concreto,
não é capaz de te conquistar.
Clayton Pires
3 de janeiro de 2011
ano novo...
fui ver a avenida
a multidão sorria e se cumprimentava,
meus amigos conversavam....
e eu,
eu me sentindo um nada
(afim de voltar pra casa).
ano novo...
eu, o mesmo.
a multidão sorria e se cumprimentava,
meus amigos conversavam....
e eu,
eu me sentindo um nada
(afim de voltar pra casa).
ano novo...
eu, o mesmo.
30 de dezembro de 2010
DESGASTE (Clayton Pires)
O amor é isso, é aquilo, é assado.
é a lua, o sol, o banco...
As metáforas na beira do lago;
é verbo, ação, e mais tudo
que puder ser inexplicável.
Eu não quero o amor, não quero!
Esqueça destes traços mal-trocados e fica...
Aqui ao meu lado.
13 de dezembro de 2010
SENSORIAL
O amor melhor ocupa o nada.
onde não cabe o pesar humano
a desculpa, e o medo oportuno.
-se a saudade é namorar o sofrimento,
eu me encanto com o calo das árvores.
Ó quantos riscos já se foram!
e a vida continuou engatinhando
distraída e inquieta ao presente.
Ao olhar o passado e pensar
que tudo é fracasso; paro.
É bem melhor sorrir de olhos fechados.
Há quem prefira andar preparado;
eu me entrego. Mulher, eu quero a carne
e o atrito. Aos poucos, abrando.
Clayton Pires
onde não cabe o pesar humano
a desculpa, e o medo oportuno.
-se a saudade é namorar o sofrimento,
eu me encanto com o calo das árvores.
Ó quantos riscos já se foram!
e a vida continuou engatinhando
distraída e inquieta ao presente.
Ao olhar o passado e pensar
que tudo é fracasso; paro.
É bem melhor sorrir de olhos fechados.
Há quem prefira andar preparado;
eu me entrego. Mulher, eu quero a carne
e o atrito. Aos poucos, abrando.
Clayton Pires
6 de dezembro de 2010
Inversão
Se dois corações se juntam,
Deve ter o cupido acertado
O ponto o flerte e o buraco
Mas se os dois se desprendem
E nada mais ocupa esse espaço
- quem será o culpado?
Deve ter o cupido acertado
O ponto o flerte e o buraco
Mas se os dois se desprendem
E nada mais ocupa esse espaço
- quem será o culpado?
Clayton Pires
27 de outubro de 2010
o amor desgasto
O amor é isso, é aquilo, é assado.
é a lua, o sol, o banco, as metáforas
na beira do lago;
é verbo, ação, e mais tudo
que é inexplicável.
Eu não quero o amor, não quero.
Esqueça desses traços mal-trocados
e fica aqui; do meu lado.
é a lua, o sol, o banco, as metáforas
na beira do lago;
é verbo, ação, e mais tudo
que é inexplicável.
Eu não quero o amor, não quero.
Esqueça desses traços mal-trocados
e fica aqui; do meu lado.
25 de outubro de 2010
acontecimentos
uma pilha de contas atrasadas
nas ruas as pessoas se matavam
por nada
na sua cama um fim sem fim
uma sensação de liberdade
você me dizia pra sempre
o mundo explodia lá fora
eu nem acreditava.
nas ruas as pessoas se matavam
por nada
na sua cama um fim sem fim
uma sensação de liberdade
você me dizia pra sempre
o mundo explodia lá fora
eu nem acreditava.
18 de outubro de 2010
Irmandade
leio livros de enxerido,
gosto de conhecer sentimentos alheios.
(não porque fico falando da vida dos outros!)
é interessante a hora que a gente assusta e pensa
– absurdo! Isso não existe!
Para depois pensar de novo e me pondo noutro lugar
passo a só escutá-lo, sem querer compreender
só ouvir.
Clayton Pires
11 de outubro de 2010
O telefone
Mais uma vez o telefone toca,
já estou cansado de andar em círculos
Procurando saber o que fazer.
Mais uma vez o telefone toca,
E eu trancado neste quarto
Com o teto da cor dos seus olhos.
Hoje não consigo jantar:
As lágrimas querem me rasgar,
A garganta já não agüenta a mistura
Das palavras, da falta, do desgosto.
Mais uma vez o telefone toca,
sei que é muito cedo pra querer voltar.
já estou cansado de andar em círculos
Procurando saber o que fazer.
Mais uma vez o telefone toca,
E eu trancado neste quarto
Com o teto da cor dos seus olhos.
Hoje não consigo jantar:
As lágrimas querem me rasgar,
A garganta já não agüenta a mistura
Das palavras, da falta, do desgosto.
Mais uma vez o telefone toca,
sei que é muito cedo pra querer voltar.
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