2 de outubro de 2010

O nascimento

Ana maria beatriz. será o nome dela.
simples como todo humano deve ser.

carregará luz e sorrisos inocentes
lembrará jesus, quando agir por gentileza
como quem dá o coração a troco de nada.
(se bem que nunca fui tão crente na história da biblia...)
mas creio em Deus, meu bom pai.
Aquele que ensinou a dor ao nascimento
e a graça do sorriso sem nenhum dente...
e nos deu o fardo de viver guardando lembranças
ou esperando que a vida se fosse para uma melhor:
vigiai-nos, pois a hora está a chegar!
porque tanto querer a morte?
porque tanto olhar os passos do próximo?
Quando uma criança soluça um choro sem motivo...
é aí que meu coração aperta, e corre atrás de vida.
Quem sabe encontre mais um pouco,
só mais um pouco de motivo para sonhar.

1 de outubro de 2010

Bravura


Perambulava em seu barquinho náufrago
Em goles de uísque e comédia barata,
Cantando distraída, as lembranças de menina:

Êta vida dura, ô saudade...

Queria estar em terra firme
E entregar uma carta de independência
Aos santos Reis da cidade:

“ vamos trocar as moedas?
xeque mate!
Confiança por liberdade."

Clayton Pires

dediquei este poema à Olga Mota.

27 de setembro de 2010

A despropósito




Entre. Sinta-se a vontade. Aqui está o mapa e meu quarto desorganizado. Não há quereres guardados. Tudo que há aqui é por simplesmente estar ou porque estive e guardei sem querer. Não há fatos pendurados em quadros de paredes. Quando chove na madrugada, as gotas escolhem quais lembranças irão apagar.

Crio um monstro traumático embaixo da cama. Que desperta à luz da lua para tirar do meu mundo, paradigmas inexplicáveis. A mesa sempre foi inquieta. Sempre pediu mais e mais e mais. Eu, nunca soube a hora de parar. Obedecer o instinto acabou se tornando um vício. Coração? Este ordinário bateu forte um dia. Depois se jogou num buraco, indignado com os ciclos da terra, com os ciclos do amor. Ele não sabia jogar, não sabia viver.

A despropósito, as palavras não são ternas, as palavras não são calmas; as palavras são confusas e exageradas. Tal qual água de correnteza, que arrasta e afoga os sonhos mais esperados. Tal qual fogo em mata, que alastra, assustando a vida. Acabando com toda a incerteza dos desesperados.

Não há o que procurar neste espelho fragmentado que contorce imagens calculadas.
A despropósito, tudo isso só faz sentidos aos meus olhos quebrantados à realidade. O futuro sempre me foi um engano. Eu que nunca soube, mas sempre falei. Se ao menos Eu desse valor as palavras que solto ao mundo... Culpa da esperança, de acordar mais um dia pra viver mais um ultimo dia de vida.
De manhã acordo em gritos: Mãe, me dá cá o abraço de despedida, acho que vou morrer mais tarde. Pai, não te guardo rancor, pois nunca soube estar no seu lugar. Meu bem, minha amada. se não fugistes sem minhas malas, te daria a eternidade. João, cuida da casa que acho vou morrer mais tarde.

Saio de casa sem destino. Já fui a biblioteca e li duzentos prefácios de livros e nenhum me escolheu. A despropósito, levo uma mochila nas costas para carregar o fardo do meu desgosto. Homens tolos de seguir as palavras de outro homem!
"Venham comigo pois sou o único caminho da luz!" – Deus não é religião!

A despropósito, não quero explicação. Chega dessa crise de existencialismo. Quero descansar minhas mãos, quero apagar esse livro que vive aqui dentro. Quero enviar estas cartas sem destino.

Clayton Pires

22 de setembro de 2010

Aluado

eu sou capaz de seguir

sozinho
eu sou capaz...

mas quando é tarde
e a Lua começa
a assombrar as árvores
para o Sol poder descansar

é em você que penso.
 
Clayton Pires

19 de setembro de 2010

é tão difícil ter um pouquinho de atenção?

18 de setembro de 2010

Prisão

Vozes inseguras e confusas
é o bem mais real em mim.

Talvez não seja desprendimento
essa vontade de fugir
-é inquietação!

Sonhos e desesperos
que batem em meus olhos de pedra.
...preferia a cegueira ao desencanto.

Queria ser anjo,
e poder usar minhas asas
quando sentisse a frieza
do salto em um precipício.
(porque não me acostumo
com as feridas?)

Mais uma vez fecho as portas
diante às cenas que criei.

A dor é o espetáculo da vida.

Clayton Pires
sozinho.

é a palavra que melhor me completa.

11 de setembro de 2010

sem controle

me vejo fogo quando falo.
labaredas se alastram por todos os lados
queimando tudo que me é natureza.

Ao que se fez Sol e  aceitou-se
Dono da vida ao seguir sua rotina,
imploro! Hoje quero minha margem.

O ar fresco e a sombra de uma àrvore.

e me calo. assim me caibo em algum canto.

Explicação poética

Creito!- tomei um susto
quando peguei meu pai me lendo.
- isso é bonito!- logo retruquei:

Não pai. isso não tem ritmo. nem métrica.
nem mimo: isso é delirio!

- De onde tiras tanta sabedoria?
Andas lendo muito livro?

- Não, pai. é visão de mundo.
é confuso!, não tem sentido!

- Ara! faças livros.
ganharias muito dinheiro assim.

-Não, pai. não é o que pretendo.
não preciso disso.

-Ora, gostas de me contradizer né?

e foi sentar-se na sala.
Eu, cabisbaixo, fui pro meu quarto.

- Ai se eu me entendesse...

10 de setembro de 2010

Solução

Os certinhos nunca souberam
 o que é viver

Viver é para os ordinários,
que rodam o mundo e não se importam com nada
além do agora.

Quando vi aquele penhasco
pensei em mais nada.
cansado de carregar esse fardo:
Joguei aquele peso-pesado

E agora, quem é o otário?

Clayton Pires

A sua essência me é um perfume raro


Me nego a viver em prantos

se em meus olhos ainda te guardo.

Se o medo nos provoca desencontros

O destino se curva à inocência

de nossos passos.



Se no dia em que estivemos juntos

o pra sempre nos prometemos,

Saiba que o tempo marcou o encanto,

e dos tantos sonhos silenciados

a paixão se perdeu em algum canto.



Mas meu coração ainda acelera

quando sua face me é palpável.

Não quero que este sentimento

(mais uma vez) hiberne no passado.

- Eu que já me perdi em outras tantas-

esse desejo, sem disfarce, lhe peço:

Um beijo, e juntos iremos pro espaço.

7 de setembro de 2010

escrevo

Sem a intenção de causar em alguém algum encanto. Não há nada melhor do que sentir a vida. Escrevo por achar que penso demais. Ao mesmo tempo sei que nunca penso no que faço. São pensamentos bestas que me batem. Talvez eu escreva mesmo por solidão. E não há quem diga que não sente isso. Em algum momento meus olhos sofreram o quebranto. As palavras me consomem, me esquentam, e me aprumam. Parece que o papel é o único mundo onde me sinto à vontade. Estou cansado da cidade. Aliás, sempre tive essa sensação. O mundo nunca me foi tão covarde. O mundo nunca me foi tão frio. O mundo nunca me foi errado. E a única certeza que tenho, é que o problema sou eu.

Porque me importo? A vida é tão curta; dizem os mais sábios. Amar é tão bom. Queria saber qual foi o maldito CulpidoAnjo que me escolheu pra ser assim. Que foi que disse que eu deveria ser sozinho? Que eu deveria só ver os casais se apaixonarem, e saber o que eles sentem, e ajudá-los, e aconselhá-los. E eu? Quem irá me orientar? Fico me questionando: porque será que é tão difícil de entender quem a gente ama? Porque será que as pessoas se vão? É mesmo para criar um novo ciclo? Ou é simplesmente para testar a nossa força? – antes que expliquem, eu aviso: Meu coração é fraco! Meu coração é errado! Parece que gosta de sofrer. Vive cheio. Vive preocupado.

Já tentei conversar comigo mesmo. Dizem que é assim que se conversa com o coração. ‘Ei! Fique frio. A vida não tem sentido mesmo. Dos tempos da bolinha, tentam achar a fonte da eternidade, ou explicar o princípio da vida. É tudo inimaginável mesmo. É por isso que Deus existe. Para colocarmos o fardo nele.’

 – Ei criador! Tu me destes estes dom para eu duelar contigo é?
Na verdade, não quero. Se quiseres, pode me tomar as palavras. Só me dê outros olhos. Algum olho que não se encante com as cores. E outros ouvidos; esses que me fazem sentir tanto...Ai! essa boca que só presta quando está cheia. Queria ser saco cheio. Podes realizar o meu desejo? Ando me sentindo tão vazio. Ando me sentindo tão sozinho. Na verdade queria ser Peixe; e viver dentro de um aquário. Esse mundo me é tão grande.
Será que se meus sentimentos não fosse tão intensos? Queria não sentir. Juro. Sentir me dá prazer. O prazer não é bom. O prazer acostuma. Gostaria de não ter conhecido a completude. Sei que tudo é questão de comparação. Dizem que a vida é utopia.

Normalmente eu não digo nada. Esse ser tão estúpido. Sempre falo besteira. Queria não saber o que é Amar. Antes disso; me sentia tão completo. Escrevo porque me busco. Acho melhor parar com isso. Acho que esse é meu ultimo texto. Mas isso é hoje. Talvez, um dia, se conseguisse fugir de mim.


6 de setembro de 2010

Fim

Mal de amor desastrado

vem cheio de graça
depois se esborracha
e vira página marcada.

Quem sabe?

(eu não sei)

Um dia, farei um livro
um livro com a minha cara

e que não fale nada com nada.

Prefácio

Meu irmão sempre achava meu olhar triste demais.
Preocupado em me ajudar 
prometeu me apresentar a irmã de sua namorada

Outro dia cheguei do trabalho
e tinha uma menina sentada no sofá
com uma camisa amarela estampada : Eu amo poesia!

- Quem disse que sou poeta?

Ímpeto



só quem fez companhia
à saudade
materializa a volta

o beijo
um baque.

Clayton Pires

5 de setembro de 2010

à ninguém

eu só queria te encontrar
e ouvir a sua boca dizer
que estou seguro

 que nossos passos não são
tão curtos

Clayton Pires

Desilusão

Se apaixonar é criar um anjo
no seu espelho
e ficar cuidando de sua aparência
até matá-lo

Pobre coitado aquele que junta
os panos os risos e o hábito
Para mastigar o desengano
no almoço.

O problema sou eu

não é culpa do mundo
meus sentidos não se confortarem
somente com a realidade

não é culpa do mundo
eu me procurar tanto
nas palavras

hoje digo: Estou de Luto
matei-me mais uma vez.

 se importa?

Anti-romantismo

uma pílula de fome para o tédio

a doçura dos olhos se seguram
 e fazem cama

dois corpos em choque
depois descansam

porque pra sempre é sonhar
é longe
e o costume é sem graça.
As casas são todas iguais. Familias que não sabem viver em conjunto. Filhos mentindo para os pais que os prendem. Filhos que não ouvem os conselhos dos que tanto já viveram. Pais que por estar velhos, estão cansados de aprender. A forma de viver bem é : Não mudar, não mudar, não mudar. Eu estou seguro, estou certo, sou forte. Não me importo. Não me entendo. Essa falta do que dizer um dia vai me cansar.

me ouve?

entregar-me não é difícil
só queria saber pra quem.

logo o encanto vem tão solto
que me faz acreditar que posso dizer
as besteiras que penso

e estas tão soltas palavras
se fazem tão fortes
se fazem tão donas
cobram tanto!

e me faz silêncio.

quando é que você se foi?
precisava te ouvir.

Condenado

até o tempo que corre em compasso
sabe ser injusto

ele que marca todas as horas
ele que sabe de tudo

ele que não sabe ficar calado
que faz justiça, que não deixa
o tempo parar

te deixa ir embora.

eu, condenado a viver nessa prisão
-mesmo que queira fazer algo-

fico vendo como se estivesse 
com os olhos tapados

e lá no fundo, mesmo que disfarce
dói.

Porque?

Hoje foi o dia. Como toda a  eternidade que vivo. não sei porque, mas meus olhos costumam guardar tudo. Nunca fui bom de matemática. Nem bom pra falar. Tudo que sei é que sinto, e não sei porque. Sempre quis viver a realidade, e enfrentar meus medos, e ajudar a quem está a minha volta. e me pergunto: Porque? 
A gente vive essa vida sem sentido, sem começos certos, sem fins explicáveis, e as coisas tão voláteis, vão e voltam, vão e voltam. E eu não sei expressar meus sentimentos. Não sei agir, não sei falar o que queria, dar forma que queria. Tudo se vai ao contrário do que penso. O amor me encontrou. O amor me queria. ele disse: se entregue, e estaremos seguros. Pegue em minhas mãos, e vamos marcar o mundo. Marquei as horas em que estive perdido nos panos de minha cama. Lutando com lembranças ordinárias. Com palavras malditas. Tudo culpa minha. Porque se apegar tanto? Porque querer tanto? não sei. Essa intensidade vai acabar me matando.

Vou caminhar de baixo das luzes da cidade. Olhos predadores se interessam com o que tenho. Me admiram, me cumprimentam, me chamam. E eu não sei porque. Meus olhos me dizem que tudo é falso. Cargas e mais cargas de adrenalina correm em minhas veias. É só isso que sinto. O coração palpitando, a insegurança de estar sujeito à morte. A frieza com que o ser humano calcula. Tudo me é estranho. Tudo aqui é desconhecido. Não sei qual é o caminho certo à seguir. Eu que nunca tive Pai. Eu que não o quero agora. Eu que sempre fui criança. Eu que sempre tive as respostas. Eu que sempre  e sempre quis ser bom, hoje vejo que não é esse o caminho da vida.

Quero encontrar a forma certa de agir. O sentido da vida. Quero que me mostrem, se realmente existe algum sentido. Quero tanto e não sei o que. Acordar cedo e ir ao trabalho devia ser uma rotina, mas não é. todo dia  é diferente. às vezes acordo com o corpo cansado, sem nenhuma motivação para levantar, e chego atrasado no trabalho. Para olhar a cara dos funcionários porcos que só se importam consigo mesmos, que só querem competir. E os patrões sorridentes, parecem se importar com o meu bem-estar. Será tão verdade que eu sou um bom funcionário? Que mereço tudo que me mostram? E se eu adoecer? Como será que eles irão me tratar? 

A sociedade é e sempre foi assim: Pense primeiro em você, e depois nos outros. Ninguém se importa contigo, por quê tentar entender os outros? Você está sozinho. Porque não se apega em Deus? vá pra igreja! - E de que adianta?- me pergunto. O mundo não vai mudar. Meus olhos não vão mudar. O problema está em mim. - Mas você tem talento! Você tem um dom! - E eu não sei pra que este serve. Não me sinto bem entre o povo. Não quero a atenção da multidão. Não faço nada para que olhem para mim. Qual será a forma certa de viver? Ser um soldadinho de chumbo e seguir a multidão? O que seria o certo?

Eu que queria ser transparente. Eu que queria ser diferente. Eu que que vivo querendo tudo. Eu que vivo me encantando com as palavras, com os olhos, com a boca, me pergunto: Porque insistem tanto em dizer as coisas sem sentir? Porque preferem se afastar de mim? Porque me odeiam sem me conhecer? Porque meu coração sente tanta fome porque sentir? Porque?

E os valores distorcidos. compre carro, compre casa, compre roupa, compre computador, compre, compre, compre...E onde vamos parar? compre a arte, compre a letras...

Outro dia, estava dirigindo meu carro e atropelei uma pomba. Pensei, O que será que aquela pomba estava procurando? Será que tinha alguém a esperando? Será que ela tinha algum propósito na vida? E se tivesse, eu tinha dado um fim sem ela mesmo saber. E os outros pombos que morrem de velhice? o que eles levam? Não sei.

Só que nesse mundo tudo é mentira. Tudo é ilusão. E nada irá mudá-lo. Eu só queria não estar sozinho. Eu só queria saber como agir. Eu só queria não sentir essa agonia e vontade de escrever. 

2 de setembro de 2010

SENTIMENTALISMO

SENTIMENTALISMO

não me deixe aqui

O que a póle ensina é só a propósito
da vaidade

quero ouvir o som do trem passando
na beira de nossa casa
sentir o medo de nossas crianças
fugirem pro meio do mato

aprendi a viver a vida
com um jogo de memórias
guardei uns sorrisos ternos
uns olhares bravos, e o que mamãe dizia:
‘há quem usa a cabeça, quem use o coração...’
—por mais tempo que a gente perca, Amar não é loucura!

venha, segure em minhas mãos
(pois quem não sabe o que quer
não chega a lugar algum.)
ao amanhecer, vamos transformar
sonhos em lembranças.

Clayton Pires

31 de agosto de 2010

Sem sentido


Podia saber como ir

e ter por onde voltar

feito casa assombrada

fico aqui:    intacto.

Clayton Pires

Essa infantilidade que me persegue


Falo pouco do que na verdade sinto
é como se fosse abrir as jaulas de vidro
que se cabem aqui dentro

Escondendo segredos
riscando paredes com sangue
resguardando gritos
secando lágrimas
me puxando pra dentro

O que queria era encontrar um companhia
pra acordar bem cedo
com vontade de brincar de esconde-esconde
juntar parelelepídos 
e sentir frio na barriga
ao roubar-lhe um beijo doce
ao por do sol

Desculpe a intensidade dos meus olhos
é que sempre sonhei feito criança boba
não querendo acordar
mas morrendo de vontade
que tudo fosse realidade

é que sempre fui inconformado
como o tempo voa
e as coisas vão se ficando para trás

29 de agosto de 2010

Para renovar o encanto



preciso de flores que lembrem o céu
azuis, amarelas, alaranjadas.
preciso vê-las.

essas horas o toque nada diz.
a frieza da distância
só gera angústia.

eu que sempre fui estátua,
observo o espaço
onde a dor se guarda.

não quero palavras
(essas malditas vistas
um dia vão me matar)

essa ânsia de estar-se vazio
essa vontade de ser, existir
e ser querido.

queria um espelho
dois olhos, o encanto
e a segurança que o mundo
não é ilusão.

Clayton Pires 

28 de agosto de 2010

vês?

Quando Passas,
ainda passa
uma montanha Russa
aqui dentro.

De quem é a Culpa?
Não sabemos.

Eu só sei do efeito.

26 de agosto de 2010

Pelo sim e pelo não...

nessa madrugada
uma Gata manhosa
subiu no muro de casa
e ficou assanhando meu ouvido

Eu [Gato escaldado] peguei
umas palavras de chumbo
e atirei no rabo dela

...Não era assim que queria?


Clayton Pires

25 de agosto de 2010

Pacto


não é paixão

é instinto

essa vontade
de entrar
em sua pele

e fazer cobertor
pro meu espírito

(...frio)

Clayton Pires

20 de agosto de 2010

Quebra-cabeças


rua vazia

a mesma visão de sempre

em minhas mãos

palavras desordenadas

tudo que não entendo

sinto.

18 de agosto de 2010

Eu queria ser bom de prosa

Cara bom de prosa não mente. Eu tenho um amigo bom de Prosa. Ele só se dá bem. Vive a vida. Sim, ele é ‘O cara’. Me conta cada história engraçada. Fora saber quantas menininhas ele pegou por aí. Cara bom de prosa não diz que está apaixonado. Diz estar curtindo, e curte, e curte, e curte...enfim, ele é o cara. Só não sei como ser ele. Cara bom de prosa tem emprego bom. Pode ser vendedor de loja, pode trabalhar na TV, pode ser político, pode ser tudo! Só sei que ele sempre se dá bem.

Como sexta-feira passada. Foi pra balada, encheu a cara, pegou uma estrela, e dormiu pelado debaixo da Lua. Depois foi trabalhar no sábado com a cara amassada e uma ‘puta ressaca do cacete’. Mas tava feliz, todo arranhado, com roupa suja – dormi abraçado com um anjo no meio do mato, acredita?- Claro que acredito. Se não acreditasse, o que imaginaria? Que ele apanhou?Bem até pode ser. Mas ele não. ele é ‘O cara’. Sabe bem fugir duma briga. Aliás, ele é bom de briga. Me disse outro dia que bateu em três machões de uma vez só.

Ser bom de prosa é tudo. Sabe bem da vida dos outros. Conhece de tudo. Sabe o que é bom e o que é ruim. O engraçado é que ninguém é como ele. Sabe quando as coisas vão dar certo ou não. Sabe falar de astronomia, de mulher, de carro, de dinheiro, de viagem, de novela. Eu queria ser ‘O cara’. Mas sou poeta, não sei de nada. E a menina dos meus olhos não vê futuro em mim.

Clayton Pires

12 de agosto de 2010

Pousada

quando quer carinho
- te dou só um pouco- e basta

pois sei que você é que nem
passarinho

vem se enche e vaza

Clayton Pires

10 de agosto de 2010

Marcas que os olhos não deixam passar

quando duas almas entram em conflito
sofre aquela que guarda os motivos
num sorriso frágil

para não ferir a outra
na forma que não gostaria ser atacada


clayton pires

7 de agosto de 2010

Sou criança tola
Brincando de dizer verdades
Acreditando no encanto das aves
Me iludindo com meus próprios sonhos
Carregando erros, e culpas de um mundo todo.

29 de julho de 2010

O presente te surpreende

Paixão é vulcão
serpeteando estrelas cadentes
que passam
e apagam no horizonte

Amar é sono profundo
de quem madruga sonho e angústia
em cama de andarilhos

sabes o que sentes agora?

Anjos tem asas cor arco íris,
encantam a vista dos inocentes
debicam a paz desejada
e voam livres

Desprende, coração ferido;
aprende que a tortura
desmancha lembranças
e cega o seu caminho.

Clayton Pires

25 de julho de 2010

Me acostumei com essa brincadeira

procurei na manhãs
a paz dos pássaros
e da sua presença.

já devia ter dito do silêncio;
mas me perco nas palavras submersas
no vão dos olhos.

entreguei meu corpo
ao seu desejo
você resolve brincar e some?

mergulhei mares de estrelas
vasculhei rastros de sonhos
revisitei nossa primeira vista
cansado, voltei pro meu canto.

será proibido um querer tão intenso?
(solilóquio dos pensamentos)
enquanto se faz difícil
pego meus planos incertos
e me escondo.

depois volta com beijos bestas
compartilhando ausências
que já nem questiono tanto.

Clayton Pires

22 de julho de 2010

O cemitério é o melhor fetiche

Ainda que fosse tarde
e a lua fria
lá no céu, nos contemplasse

Eu te deitaria no telhado
dos gatos vadios
e com uma mordida em sua
tatuagem de cereja
ascenderia a chama

(deixando a lua, as flores
as velas, mortos de inveja)

Ouvindo sussurros de quem se afoga
em suor: 'Ah! acabe com essa sensação
que me devora!'
e nossos corpos em transe e delírio
se derreteriam na pedra de mármore

e só acordaria no outro dia
com tudo acabado
para dizer que não preciso mais
de tê-la em mim.

Clayton Pires

19 de julho de 2010

assim, juntinho

Eu só queria saber
de assim, sabe?

da gente vivendo bem juntinho
como se cabessemos num caixa
de fósforo

assim, sabe?
fogosos, sorridentes
dedilhando sonhos
descobrindo estrelas cadentes

Eu só queria a certeza
mas não agora, na hora certa!
à, de ser de todas as horas

assim, sabe?
perdidinho, estabanado, inocente
eu queria que cuidasse de mim
sabe? como queria tanto cuidar de ti

Eu queria roubar a lua, mudar a sua face
dar o seu brilho e guardá-la em todos os estados
assim, sabe? como se fosse mágico
como sentimos estar juntos, como mudamos o mundo

assim, juntinho, eu queria.

Clayton Pires

Eu ví

seu vestindinho
preto
balançando seus
quadris

(ela nem percebia
mas eu a ví!)

Ficava pulando quadrinhos
imaginários
no meio de praça
- despercebida

nem se importava
com as coisas a sua volta

(ela não sabia mas
isso era o que
mais me encantava)

Até os passarinhos
fizeram roda em sua volta
Para aumentar seu entusiasmo

Eu ví, por isso sorria
Ela talvez nem se importaria
em saber o que eu pensava.

17 de julho de 2010

Matem-no!

Matem este pobre coitado
que se diz " Clayton pires
o poeta das águas"
que na vida
nunca foi valorizado

Matem-no
de braços abertos
pro mundo

por carregar
em suas mãos
sacos de tristes
palavras roubadas
e confiar nas histórias forjadas
de supostas amantes (fracas)
que sempre usaram o tempo
para deixa-lo jogado de lado

Matem-no. Vos digo
Não por interesse:

com uma punhalada
pois o morto
como vítima da vida
Morre pra se tornar ídolo
(coisa que já não se vale mais nada)

Clayton Pires

Avisada foi

Fique com os burburinhos
da chuva
titubeando em seus ouvidos

Você já tem os embrulhos
de presentes,
os perfumes
as cartas velhas
e suas razões esquizofrênicas

não me cobre palavras gratuitas
nem elogios
nem conselhos ou consolo

já acabou a sintonia
acabou a melodia

Quem mandou desligar meu radinho?

Como fazer poesia?

É preciso viver
pra se ter algo.

É como uma caixa
de brinquedos e palavras:
Espalhe o não-dito
o espasmo e a dor
no meio da sala

Na verdade é alquimia:
Junte as verdades-meias
Cueca suja, roupa distorcida
Calça rasgada

Jogue no caldeirão e mexa
até formar caldo

Ou crie poesia de aprendiz:

criança recém-nascida,
no começo não fala
depois se descabe
com cada passo dado
da vida

se encanta e desarma.

Clayton Pires

11 de julho de 2010

Não digo que te amo

não porque seus lábios
não fazem meu tipo

não é tambem porque
suas brincadeiras
não destruam meus medos

não digo que te amo
porque amar seria pequeno
em meio ao que sinto
e te deixaria a pensar
no que não sinto

não gasto verbos
nem adjetivos
ao dizer o que quero,
e espero

mas não digo que amo
a beleza que seus cabelos
demonstram aos meus olhos
quando batem no vento

nem como marca
a falta de sua presença
no calendário

nem, falar, falar e falar
...sozinho

não digo que te amo,
porque sobram
palavras que não quero
deixar de usar
neste momento.

9 de julho de 2010

O amor, assim como a verdade, se distorce, baby, porque não? Se distorce com o tempo,se distorce com as magoas, se distorce com a dor,tpm,partidas e chegadas.
O amor, não só distorce, baby, ele se retorce e se dobra, se divide ou se nega.
Depende da deixa.
Se em ti morreste o amor, preocupa não, lá fora os passaros cantam felizes, sem se quer poder senti-lo e farda-te com tua roupa colorida, pois o sol de ti precisa, assim como a lua.
O amor , baby, o amor também perece, esquece-se e expira, enquanto cresce e se deita . O amor, Oh o amor...

jair fraga vieira neto

5 de julho de 2010

agora fico nos seus braços

Como a chuva que mancha
A janela, nesse fim de tarde
Transparecem meus desejos
Por sua chegada.

Disseram do nosso futuro?
Não sabem como cuidamos o agora.

A vida quando traça uma fita,
cresce, carrega, se encarga
Da surpresa (nem sempre boa)
E nos deixa extasiados.

O tapete da sala ainda exala
o sabor do perfume dissolvido
em suor de nossos corpos em alarde.

Enquanto o tempo joga perguntas
em minha face: - Será o beijo dos bailes,
Mais seguro que seus braços?
se fosse, a chama das estrelas
Cessaria em qualquer estado.

Não se preocupe com as palavras
dos autos-falantes da noite.
Eles cantam alto seus sons trêmulos e vazios
Mas não chegam em algum lugar.
Talvez pelo pobre interesse
De ver a desgraça.

As mulheres livres são boas
Mas não trazem carinhos singelos
Nem palavras bobas
Nem perguntas calmas
Nem infantis sorrisos
E humanos amassos.

Nos juntamos feito
Barbante e casaco,
Das tramas das historias
Pisoteadas no mundo falso.

Como fazem aqueles
Que se cansam
Dos fins de tardes
Sentados sozinhos
Na beira do lago.

3 de julho de 2010

Agulhas do tempo

As ovelhas nasciam
No inverno,
E vovô as manejava
Até o verão

Tirava
Leite
Couro


Garantia o café da manhã

As agulhas de tricô
Não paravam
nos dedos da vovó

Contrapontos
e pontos...

Seguiam linhas sincronizadas
Com o balanço da cadeira

A vovó,
Tecia o agasalho
Do menino

Que nem sabia
De seu destino

Clayton Pires

2 de julho de 2010

É difícil não se apegar ao que te faz bem. eu gosto do seu beijo do seu abraço, do seu jeito. sim, você não é perfeita - mas não é isso que eu queria mesmo - temos diferenças, e essas são as coisas mais engraçadas entre a gente. Não que a gente se conheça tanto quanto queremos, não que não tenhamos muito a viver juntos ainda. mas é uma sina tentar descobrir seus medos, desvendar seus planos, buscar a sua loucura - mesmo que não seja a mesma que a minha - Busco te conhecer como quero conhecer a mim mesmo. busco os instantes que nos marcam e nos fazem presentes nas horas vagas. na distância, no silêncio, nos sonhos, nos planos. busco cuidar de você, querer o melhor de você, e fazer o melhor por você. como espelho: fico refletindo o brilho do seu sorriso.

Fim de Junho

é inverno

em tempo de frio,
a manhã nasce cerrada
o Poste de céu
se esconde atrás das nuvens

as gotas brilhanteiam as macieiras
no bosque

as crianças acordam mais tarde
mas não deixam de bagunçar
os cantos da casa

Clayton Pires

28 de junho de 2010

Magnetude

Procurava expandir
as idéias fartas

Querendo juntar
imãs do mesmo lado

Quanto mais mexia
- mais me fascinava -
expandiam energias estáticas

Encontrei uma falta de pensar
em um ponto mágico e casto

Na partida do Passado ao Destino,
segui no vago de minha memória falha

Quando a neve cobria minha cabeça
Eu descobria que a alma não tinha idade.

Clayton Pires

Sina

O doce silêncio
é o que mais encanta
em ti

Busco a essência
de seu sorriso
como quem enfrenta
o que desconhece

Na tempestade
De seus beijos
encontro as palavras
miúdas, que me estouram
e se calam

Insisto em seguir
seu mapa:
Aqui encontro cartas mágicas
em cada toque
respiro
afago

Inebrio sentidos gélidos,
e balanço, faço traços
e me distraio

Depois te guardo
no canto de meus olhos
(como quem acha pouco)

Onde guardo todos os instantes
Que aprendi a sentir
sem pensar

Clayton Pires

26 de junho de 2010

sim, foi sim...

Todas as noites são iguais para mim. mas uma, somente uma foi diferente. Foi a noite onde achei que tudo seria como sempre. sair com as amigas e fazer o que sempre faço. mas nao foi isso o que houve nesta noite. Nesta noite, foi diferente, foi a noite em que conheci alguem , que no inicio parecia mais um , mas realmente eu estava enganada de novo , este alguem chegou bringando com todo mundo e pensei "é soh mais um engraçadinho" ai se eu soubesse que esse "alguem" marcaria minha vida, teria dado mais valor a cada minuto que passei ao teu lado. teria dançado mais com ele, teria conversado mais, mas como teria eh passado , ele ficou na lembrança de uma noite que simplesmente foi diferente e unica e nao foi igual a todas.

Jeniffer Longhini

béa

(pedido)

Aquele guardanapo
Debaixo da taça de vinho
Peço que leve contigo.

Pois nele deixei meu sorriso
Branco, vazio, sem motivo.

Leve,
Guarde naquela sua gaveta
De fotos.

Hoje o que eu quero
É permanecer
Em suas lembranças

CARTA AO CREITO

(Pedido de Casamento da Macabéa)

Sabes cerzir,
Cozer, cozinhar,
Pregar botões
Lavar, passar?
Usar Cândida -
A Melhor Amiga da Mulher,
E os temperos...
Sabes colocar?
Sabes acordar
Bem cedo
Preparar marmita
Café, chá,
Fazer tapeçaria
Bordar, transar?
Gostas de Futebol
Coritians ou São Paulo?
Mengão - ah não!
Muitos conceitos hás
Ter que mudar
(e o controle da TV
é meu - fique sabendo!
- lado direito da cama, e
a melhor posição na mesa)
Ganhas algum dinheiro,
Bem? Sim, porque eu
Posso perder o emprego
Gostas de ler
Que tipo de leitura,
Escreves?
.....
Gosto de homem escritor
Não se importa
Que eu use calcicha furada
Nem de umas arrancadas
Violentas no meu jaguar?
Sabes por acaso
O que é depressão,
Bipolar, tpm,
Esquizofrenia
E menopausa,
Já ouviu falar?
O bife, como o fazes?
Ao ponto,
Mal ou bem passado?
Sabes lavar louças
Torcer, secar, varrer,
Dobrar, guardar
Esticar a cama,
Esterilizar?...
Sabes,
Dobrar gaurdanapos
.....
Usar aspirador de pó
Sussurrar poesias
Tipo:
- Tás afim de transar?
Elogios, elogios, elogios
Meu ego é meio problemático
Frágil, precisa de afagos
Sufrágios, senão morre...
Maionese, margarina,
Sabes onde colocar?
Arroz de carreteiro
Omelete, macarraõ
Rabada, arroz e feijoada....
Sabes elaborar?
Insisto nos detalhes
Pois são muito importantes:
Permite-me envelhecer
Com orgulho e elegância?
........
E não sejas muito exigente|:
Posso ser Alice, Macabéa,
Augusta, Antonia, Luciana,
Cintia, Karla, Clarice e
Julieta,
Todas juntas ou uma
A cada seu tempo?

Olga

CARTA À MACABÉA

Saiba bem Macabéa,
não sou simples
nem ei de ser Príncipe.

tente me aceitar:
não lavo,não passo
nem comida faço
sobre seu traço
posso tentar...

não torço pra nenhum
mengo-mingo sei disso
ganho nenhum mango

torço pra São Paulo
crescer
de quarta, que
te levo num pra jantar
à luz de velas
contar estórias criadas
das mais velhas anedótas

(que noites diferentes
passem sobre nossas estreladas
janelas de monotonia)

te peço falante, Macabéa
sem discurso de errante:
cheia de defeitos e cansaço.
assim que te quero, pois
tenho medo de segredos
de nossos corpos imitados

te confesso um verso perfeito:
não assisto TV.
que com seu controle
não me meto,
na cozinha, no fogão, na pia

O que quero é garantir seu prazer
meu corpo é latente, carinhoso
e com cheiro marcante
(sem nada a cobrar.)

não me importam
suas voltas
e esquizofrenias - Quem diria,
Quem não as tem?
O que quero é o que nos convém:
uma boa companhia.

Clayton Pires

Nunca fui de seguir teorias

Quando meu pai dizia as coisas, eu perguntava: " Por quê?" Mas no fim eu já sabia que tudo custava o acaso.

(na prática tudo pode ser diferente)
Mas sempre me bateu na cabeça uma coisa: "Olhe nos olhos dela e diga que são lindos."
Eu nunca iria te dizer isso, pois sempre achei que fosse batido demais, e ouviria de você:
"você diz isso à todas."

À, então achei melhor falar a verdade:
" Depois que balancei no passatempo de seu sorriso, seus olhos passaram a me visitar em todos lugares."

Hoje cedo não tomei café da manhã. Porque estava pensando em você. Não almocei. porque não estava com você. Hoje a tarde não fui trabalhar. porque estava pensando em você. Hoje a noite não dormi. Porque estava com fome, mas resolvi escrever pra você.

Poema Insólito

Não há verdade absoluta
Sobre a carga que move
O enigma da esfera
Nem a força magnética
Que interrompe seu ciclo

Não há verdade maior
Que a razão distorcida
Em base do poder do ego

Aqui, onde existem múltiplos
Templos e Deuses
Indicando setas cegas
para um caminho desconhecido

O poeta rasga seus olhos
Para destampar a falsa face do mundo
E encontrar seu ponto pacífico
Tentando expressar seus sentimentos
Da ansiedade de saber
Como reagir com os atos do ar
E os versos desgovernados
Que mancham o papel
com o coração na mão.

Clayton Pires

23 de junho de 2010

Estrelinha

Se caminhasse pelas nuvens
e encontrasse as respostas
das voltas e tombos das nossas histórias

Ainda assim, ficaria o segredo:
Por onde andas sonho meu?

Se passasse sorrisos, beijos, abraços
turbilhões de ventos ou infinitos tempos
que me fizessem agir sem pensar
no peso dos pequenos atos

E visse as estrelas que jamais ousaram
sair de seus olhos para se juntarem aos meus

Ainda me perguntaria:
Por onde andas, sonho meu?

clayton pires

21 de junho de 2010

Desprezo

Os pontos traçados
não formaram cicatriz

ainda tento a palavra
travada na garganta
como uma escolha infeliz

se me olhas assim,
rio com um riso manco
para disfarçar a mágoa
que deságua dentro de mim.

Clayton Pires
Só com o convívio
se torna próximo
o que era estranho

Como aves,
recebendo migalhas
para conhecer o prazer
de matar a fome

Para perceber que é preciso
persistir nos tombos,
para se chegar aonde
se queria.

Clayton Pires

Inverno

Acreditava ser só mais um sono,
Como qualquer outro fim de tarde.

Meus dedos se enroscavam nas lãs
De seus sonhos, e seus olhos se fechavam.

Mas antes da neve veio a tempestade,
E eu que não sabia de sua fragilidade,
Te deixei exposta ao tempo
Para aprender a viver com a saudade.

Acabei guardando o desenlaço
Os momentos vividos e engraçados
Que hoje já se tornaram papeis passados
-quase esquecidos- em que vivi ao seu lado.

Clayton Pires

Teleférico

a vista é linda por cima da cidade.

com o pés se batendo
no balanço da cadeira,
pareço sentir um pouco
de liberdade.

Navego no contrário da semana
(onde as horas correm)
e sinto mais do que penso.

A altura o lago os morros,
Sempre formaram uma bela paisagem.

Ontem não foi minha noite

As penas que mandei às pressas
Não chegaram aonde planejei;

Mesmo com toda a razão
-que era só minha-
E eu não tinha certeza.

Passei noite em claro
Travando discussões
Com meu interior

Que já não sabia de seu tamanho
E no fim,
Ninguém tinha ganho.

A lua,
Cortada pela metade
Ensagüentada,

Se escondia atrás do prédio
Por medo de ser vista
Desnuda.

Clayton Pires

Tanto fez Tanto faz

O passado se perdeu
e se prendeu nas lembranças.

Ficou assim: Tra-va-do

As estações se misturaram:

Sobre os tons
Sobre os sons
Com as têmperas

Agora, tanto-fez tanto-faz
Nem culpa, nem sentido, nem solução.

O que importa é o momento,
A intensidade do silêncio.

O estouro do vulcão
recém adormecido
E os passos adiante.

Clayton Pires

Sublime

As palavras me consomem
Nessas horas.

Debaixo dessa sombra
Que as folhas fizeram
Com a luz da lua.

Porque seus olhos continuam
Me dissolvendo aos poucos?

Continuo te querendo
Tanto quanto minha língua
ácida, pede sua pele.

Não consigo fugir:
Nada me impede
De não deixa-la fazer.

A noite deixou de ser tédio.

Se estamos assim, tão inquietos
Só peço que o sol demore a amanhecer.

Clayton Pires

Redenção

Não conto mais os dias

Desde que meus olhos
Se despedaçaram

As árvores ficaram mais frias
As flores esconderam os cheiros
Das palavras senti o destempero

Perdi a noção do que sentia
Junto com o medo de te machucar
Me perdi nas sobras das horas vazias

E o silêncio passou a ser tormento

Nada mais, é singelo
Nada mais, é seguro

A mentira de não te querer
Abraçou a minha falsa alegria.

Clayton Pires

Metrópole

As torres revoltadas
Refletiam as árvores
Falhas, na estrada.

Cabos de aço
Grudunhavam as pontes
Que passávamos.

Enquanto o céu
Em fúria,
Preparava chuva
De gafanhotos.

Era tarde,
Nos esforçávamos
Para chegar em casa
à tempo.


Clayton Pires

Carnívoro

Sangue-suga

fico no prazer
de sua pele
desejando
paralisar
a bomba

coração.

Clayton Pires

pequena*

Não acredito, pequena
cabestes no fecho
dos meu olhos

não acredito, no intento
de fugir de seus passos
e seguir esse imenso desejo

não acredito na cama
na lua, no abraço
que guartaste você
nesse tão pequeno momento.

19 de junho de 2010

Desprezo

não adianta me olhar com outros olhos,
pois meus olhos já morreram para ti.




Os pontos traçados
não formaram cicatriz

ainda tento a palavra
travada na garganta
como uma escolha infeliz

se me olhas assim,
rio com um riso manco
pra disfarçar a mágoa
que deságua dentro de mim.

Clayton Pires

17 de junho de 2010

Já não sou mais como era antes

o tempo que era lerdo
passou apressado
(maldito)
só porque sabia
que eu estava ao seu lado

já não gasto mais meu verbo
para conquistar os seus olhos

nem te faço ou peço perdão
não tenho medo do amanhã
da tarde, da noite, da madrugada

pois passei todas as horas(ao seu lado)
sonhando, sorrindo, cantando

já não sou mais como era antes
fogo que se apaga
beijo sem entrega

Hoje sou grude de seu peito
morada de seu colo
devoto de seu sorriso

pois sabes, és sempre presente
minha amada.

16 de junho de 2010

Não sentir

Ultimamente não vejo nada. nem a boca entreaberta pedindo pra saciar a estranheza da alma, nem o sorriso trêmulo da insegurança da mulher apaixonada.

Não sinto, não choro, não... não vivo com a segurança da morte. à se ela quiser que me leve, mas me leve para o lugar desconhecido.

Não quero que seja o céu, pois este foi criado aqui no mundo. Nem me jogue nas falsas águas quentes de vulcões, pois não quero a minha carne derretida.

Estou no momento cansado, já tive várias visões e sonhos, já tive carros e casas.

E o mesmo parto que meus pais viram e sorriram eu vi e não suportei as lágrimas.

Acabou que os ossos desgastaram, e os olhos já ficaram fracos para falar. e se existe algum final, outro, o que eu não espere, como tantos outros.

Espero que este me leve, de novo. não espero saber aonde. só espero que essa saudade acabe.

Metamorfose

A borboleta
ouviu anjos
chamando sua luz

abriu as asas
fechou os olhos
e caiu morta.

Clayton Pires

15 de junho de 2010

Frascos

Preciso do pouco
da adrenalina do seu beijo

tanto o cheiro de perfume
que como conta gotas
soa na parede do quarto.

Clayton Pires

Fractal

Restos de verdades
distorcidas
d'um ex-amor amado

Flechas-sangue em pó

Um cupido desarmado
estilhaçado
no chão.

Clayton Pires

14 de junho de 2010

A culpa de deus

De pó em pó
fez o céu,
parte à parte
sombreou as curvas
do horizonte,
e colocou um espelho
na frente da ponte
para os curiosos
tentarem descobrir
qual é o segredo
das nuvens
que aquarelam
a paisagem no tempo.

Clayton Pires

Pânico

é uma agonia cortante
um medo sem motivo,
sensações inacreditáveis
intensos arrepios.

A vida é um paradoxo profundo
onde não sabemos nada do espaço
nem do que reage por trás da vitrine
que nossos olhos não alcança.

12 de junho de 2010

O relógio

Trabalha
Preso às voltas
rotineiras.

ilusão

O copo
Transbordando sangue
Ainda está na mesa
Para saciar-te
De minha morte.

Confesso

Já vivi dos sonhos
As mais doces nuvens
Já senti os mais febris
Desamores
e acabei no maior pecado
Que já cometi

fugi de mim
Quando menos podia
Hoje sinto falta
De estar comigo.


Clayton Pires

Procura-se uma mulher

Não me importa a cor dos olhos
Nem a aquarela que reflete ao por do sol.

Basta que dentro deles haja claridade
Para apagar as sombras de minha face.

Não me importam as brigas e desentendimentos
Me importam as palavras brincando no escorregador do tempo.

Não me vale a graça nem o ouro guardado
Muitos menos as coisas do passado.

Não to nem aí para o corpo e a pele
Que apodrecem e não mudam nenhum sentimento.

Basta que se entregue por inteira
Livre solta e quente

Que absorva minha alma
E no fim de tudo me entenda.

Não quero a intensidade
Mas que tenha disposição

De lapidar a pedra bruta
Que habita em nós.

Clayton F. Pires e Jair Fraga V. Neto

Mudança

Fui jogando trapos
no muro
e numa profusão
de tecidos
Perdi meus sentidos
e esqueci como me esquivo
dos socos do mundo.

E as palavras
se secaram na garganta
emudeceram o que era antigo
e despercebido
tomei o aviso na cara:

Tua teoria de destino
nunca foi nem será concreta
nossos sentidos e dúvidas
são inconstantes

E as escolhas,
mesmo que não se prezem
são utópicas e sem volta.

Não há fórmula com segunda solução
é como a poeira em cima
Da nossa caixa de lembranças
Não volta, não se move.

Quem sabe um dia
Nesse fim que jamais se acaba
A espera do reinício
(onde não me encontro)
Algo Faça o relógio girar
Sem que seus ponteiros
Signifiquem marcas.


Clayton Pires

mulher dos sonhos

Carregastes em seu peito
ternura, aconchego e compreensão
Junto com um universo de sonhos e desejos
Poesia e mistérios.

Em seus olhos luz e encanto
e delicadeza para cuidar de meu mundo.

E doces palavras que me calem
Brincando de cantar em timbre maior
Me fazendo menino, com seu toque envolvente.

Sua face angelical,
Quando abre um sorriso mágico, luz da noite
Guarda na lembrança do poeta a beleza da lua

E me deixa louco de vontade
De quebrar todos os espelhos do mundo
Para que possa eternamente
Refletir a sua beleza
Em meus olhos.


Clayton

Qualidades

Olhar sereno
Sorriso flertante
Um abraço quente
Beijo sufocante.

Nas horas frias
Balanço ensaiado
desejos carnais
acendem.

Clayton Pires

não sou poeta

Sou apenas
um andarilho lunático
que vive com o coração
descompassado
perdido entre as voltas
da roda gigante da vida.

Claro que não sou poeta
não sei cantarolar
em língua de anjos
nem ao menos sei
a poção mágica que dizem
ser amor.

Simplesmente nasci
do lado da luz,
com olhar de anjo
como toda criança
recém nascida,
ânsiada para conhecer o mundo.

Não posso dizer
que sou poeta
das flores, do belo
do céu, do paraíso.

Pois não toquei
as flores eternas
Nem consegui sentar
ao lado da lua.

Quem sabe seja assim,
viver no vale das sombras
falando da saudade
com uma imensa vontade
de encontrar a luz
e viver eternamente.

Mas poeta não sou,
só sei do buraco negro
que me reparte
fazendo ser incompleto
Descontente de viver
Sozinho.

Tentando me encher
Do ar vazio do mundo,
Sou apenas um mero ser
Cheio de dúvidas
Tentando entender
O nada.

Clayton pires

Não há poesia em mim

Não há poesia em mim
E nem neste andarilho lunático
Que se perdeu entre as tantas
Das incontáveis voltas que a vida dá.

Claro que não sou poeta
Não sei cantarolar a língua de anjos.
Nem preparar a poção mágica
Das coisas que falam de amor.

Simplesmente nasci assim
Birrento e com olhar de anjo
Cegado por luz de holofote
Ansiado por saber de um mundo novo

Mas isso não causou poesia em mim
Pois jamais toquei as flores eternas
E nem me sentei ao lado da lua
Portanto só me caberia terminar assim.

Vivendo no vale das sombras
Pranteando dolorosas saudades
De reencontrar a luz que um dia eu vi
E assim persistir e viver eternamente.

Porém as lâminas não me fizeram poeta
Os enganos se aprofundando me dilaceraram
Tornando-me vão oco e incompleto
Onde tento preencher as lacunas furtadas de mim.

Sô Creito & Véio China

Tempestade

Chove aqui dentro,
E a correnteza
arrasta as lembranças
que levam os sacos
pesados da alma.

Clayton Pires

poema de partida

É hora de fechar o riso,
Juntar as marcas
e guardá-las nas malas.

Esquecer mágoas,
relevar promessas,
fechar a conta.

Não quero explicação
me dê a culpa
e deixe que eu pague
em silêncio.

Agora, ninguém quer saber
Quem acertou a tacada
ou será enterrado.

Já se foi o tempo
e quiçá a hora exata.

Se meus olhos
já despejaram rios
e isso não é o bastante,
não quero o passado.

O trem passou,
e eu fiquei perdido
no caminho do além,
que eu nem sábia.

Condenado a conviver
pelo resto da vida,
a saudade sem volta
Com o frio da solidão.

Essas malditas horas
que custam a passar
me fazem temer a eternidade.

Em busca de um amor eterno

Subi as montanhas mais altas
e briguei com todos os Deuses
que desconhecia.

Desci ao inferno
e fiz pactos com demônios,
desfiz os planos da morte.

Em busca de um amor eterno
vivi no mundo-perdido,
encontrei uma luz
entrei no mundo encantado
sai iludido.

Em busca de um amor eterno
morri em vida, revivi
tentei ressuscitar mortos
mas não consegui.

Em busca de um amor eterno
corri contra o tempo
deixei de viver,
engasguei
com meus próprios sonhos.

Em busca de um amor eterno
Perdi minha infância,
Perdi meu sono
e a esperança.

Em busca de um amor eterno
machuquei meu coração,
engoli sapos que soluçavam
a idade.

Em busca de um amor eterno
desmenti crenças
perdi sentidos
e fiz companhia com o desabrigo.

Em busca de um amor eterno
Juntei cacos de lembranças,
Me fiz espelho e refleti as sombras.

Clayton Pires

Distante

Sento no balanço
Para esperar
A lua
clarear a noite.

As oportunidades
passam nas estrelas
Eu, fico lendo.

Conhecendo novos horizontes
Construindo sonhos.

Clayton Pires

Amor verdadeiro

Eu ainda espero o meu verdadeiro amor, como um pai que espera o nascimento de seu filho.
Não sabendo a cor, nem cabelo, muito menos sua face. Só imagino quantas horas irei passar vidrado naquele olhar, Contando todos os meus segredos em silêncio, sentindo o arrepio em minha pele, por ter encontrado o que tanto procurei nesse mundo perdido.

Acredito que desse dia em diante não precisarei contar as horas, nem marcar os dias. Esperar pelo sempre e nem escrever mais sobre o que nunca senti. Viverei a cada segundo sorrindo, Conhecendo os mistérios mais profundos dos sentimentos antes-vazios que corroíam o lado direito de meu peito.

Não lembrarei mais das horas tristes em que senti falta de paz de espírito quando a saudade amarga esmurrou meu peito. E nem mais pensarei em minhas paixões perdidas que queimaram como fogo, e logo se tornaram cinzas por um motivo que nunca irei saber.

Meu grande amor me ensinará a ver constelações e me levará para sentir as flores do campo
E passará horas me mostrando o quanto é bom ter uma companhia. o verdadeiro amor será pleno e forte. E junto comigo sonhará com coisas impossíveis, Para provar que neste mundo não estou sozinho.

E nas noites, antes de dormir terei a minha paz no travesseiro por sentir a ternura de um amor incondicional.


Clayton Pires

11 de junho de 2010

Passos sonhadores

Voo nas asas dos teus passos.
No sopro do teu laço
me lanço, te enlaço
em nossos secretos traços.

E faço a noite a mais bela
com nossos passos delicados
o coração em - des[compasso]-
pulsa sem pensar no tempo ou espaço.

No apogeu o nosso delírio,
o horizonte é um vestígio
de teu soar em mim.

Quando teus braços
vestem minha alma,
sinto-me em descanso
com num doce canto.

Confio no teu tom,
E danço no teu ritmo.

Assim nos passos de sonhos
o nosso voo trançado.

No auto: O retrato, o Sim.

Creito Pires & Aglaure Corrêa Martins

Fases

De pó em pó
fez-se a sina

dizia ser encanto
e que em seus olhos
só existia uma via

linhas tortas
e profundos cortes
de papéis passados

dizia ser a lua
e suas alternativas
de estados

de vez sentia a chuva
que passava a ser nuvem
e depois dormia

dizia ser assim
e se equilibrava
numa matéria

que aparentava não ter fim.

10 de junho de 2010

....

quando estás por perto,
abre em mim uma janela,
como quem espera um sorriso
pois sei que é pouco o tempo.


mas quando desapareces
sem aviso ou motivo
sinto o inverso
me desespero em silêncio.

passo a te procurar nos rastros
e suplicar aos astros caídos
a te trazer de presente.

quando voltas,
com nossos planos e memórias,
trazendo de volta a força
de nossas fases...

passo a te querer mais,
muito mais
do que no passado

creito e ólga

fases

Você me dizia das luas
parte à parte
como se fizessem
papeis memoráveis
ao que vivíamos
e não ao que esperávamos.

eu, mudando de assunto
lembrava quanto era grande
o mundo, que não nos explicava
porque cada passo das horas
era tão profundo.

você dizia do pó que a lua
jogava no nosso telhado,
e enquanto dormíamos
o encanto crescia.

eu, a olhava tão distante
e n

amo porque amo

<


amo porque amo
e se disser que sei o que sinto:
-minto.

amo porque amo
e não é o bastante,
mas sei que amo
- porque sinto.

se perguntasse
se sei o quanto amo,
tentaria chegar ao infinito:
- aonde me desconheço.

mas não desminto
o que foi dito antes.



Clayton Pires

20 de maio de 2010

Nada adianta

Arrancar cacos de escombros
Só faz aumentar a ferida

Fingir ser zumbi
E não sentir
É só questão
De prazer

Não lembro
Aonde o silêncio
Agarrou minha vida!?

Outra esquina

Cansei desse seu beijo:
sem-gosto.

Anjos não existem
minha filha.
Nem amor pós morte.
não pense em fazer chuva
em baixo de minhas asas.

Na outra esquina
Talvez já tenha esquecido
Que era pra toda vida.

Clayton Pires

19 de maio de 2010

Redenção

Não conto mais os dias

Desde que meus olhos
Se despedaçaram

As árvores ficaram mais frias
As flores esconderam os cheiros
Das palavras senti o destempero

Perdi a noção do que sentia
Junto com o medo de te machucar
Me perdi nas sobras das horas vazias

E o silêncio passou a ser tormento

Nada mais, é singelo
Nada mais, é seguro

A mentira de não te querer
Abraçou a minha falsa alegria.

Clayton Pires